quarta-feira, 12 de setembro de 2018

DULCÍSSIMA





Por falta de um sopro
no marasmo do cais
adormeciam barcos

banhavam-se em salivas
à vista dos mastros
quando amanheciam 
sílaba a sílaba 
junto ao pomar dos medronheiros
numa cadência de asas e passos

e tu adocicavas nas margens
imaculadas claridades

Com o tempo verifiquei
que eras tu 
regressada ao que sempre foste
vertebrada metáfora
a folhear um compêndio de azuis

eras tu dulcíssima
tão líquida por entre os dedos
que adormecias os barcos


Eufrázio Filipe


13 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

É tão sossegada esta tua metáfora...

Diz-me
Quando a hora de acordar os barcos?

Elvira Carvalho disse...

Gostei da imagem. Quase tão bela quanto o poema.
Abraço

Marta Vinhais disse...

Mesmo sem vento... encontra-se beleza...
Beijos e abraços
Marta

Julia Tigeleiro disse...



E tinha nos olhos a verdade, o brilho cru e absolutamente autêntico dos azuis e das claridades. Outro poema que me encantou. Abraço.

saudade disse...

Por falta de um sopro, porque o que se quer é serenidade....
Beijo de..
Saudade

Pedrasnuas disse...

Belíssimo quadro!visualizo a lua!

Pedrasnuas disse...

ou a água...

LuísM Castanheira disse...


águas que do céu azul o torna
nas correntes paradas do olhar.
boas margens...
abraço

Jaime Portela disse...

Dulcíssimo poema...
Excelente, gostei imenso.
Caro Eufrázio, um bom fim de semana.
Abraço.

jrd disse...

Vertebrada metáfora liquefeita num belíssimo poema.
Grande abraço

Graça Pires disse...

Só uma mulher "dulcíssima" para adormecer os barcos…
Uma boa semana, meu Amigo.
Um beijo.

Ailime disse...

Uma dulcíssima metáfora poética.
Beijinhos,
Ailime

Agostinho disse...

Que metáfora esta que se reinventa em novas roupagens. A cada maré o poema deslumbramento sobe à praia.

Abraço.