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No reverso
da generosa lareira
extintos os presépios
se reacende
o lume no sobro
No reverso
de todas as claridades
uma multidão de faúlhas
organiza pelos dedos
novos apeadeiros
de luzes intemporais
surpreende à flor da pele
num fósforo
o corpo lindo das palavras
eufrázio filipe
Belos relâmpagos
partilhados
no chão das águas
dezembrando
o lume das estrelas
O Natal vai começar
em família e outros amigos
Boas Janeiras
eufrázio filipe
Em cardume
nos olhos dos peixes
lá estavam os pescadores
Na véspera de relâmpagos
e outros afetos
dulcíssimos corações
clareavam as noites
e nós só podíamos fazer
o que fizemos
sentámos à mesa
os ausentes
levitámos em voz alta
o sussurro das marés
recolhemos estrelas
no chão das águas
celebrámos a cadeira vazia
eufrázio filipe
Efémeras pétalas
dão acesso
à escarpa
erguida dos escombros
passo a passo
pelos caminhos do vento
recolho-as quando desenho
nos espelhos
pátrias amovíveis
barcos alados
que se perfilam
para hastear a mais bela
desordem
de cores no jardim
efémeras pétalas
os teus olhos remoçados
despontam à flor das águas
eufrázio filipe
Quando te despiste em flor
e revelaste a nudez
já despontavam as camélias
não por dádiva dos céus
na vertigem das sombras
muito menos porque o mar
se ergueu
num sussurro de azuis
tão só depurada
trazias gestos musicais
a noção de um rio
que se demora nas margens
Quando te despiste
quase inocente
numa povoação de sílabas
não desnudaste
o mais íntimo da pele
ficaste em vigília ao improvável
tão perto dos mastros
onde dardejam pássaros
e profanam metáforas
eufrázio filipe