Os marginalizados da vida por razões alheiasà sua vontade,na grande maioria são os que trabalham
ou estão no desemprego,por conta de outrem.
No auge da crise generalizada,são como naufragos
em mar encapelado - agarram-se à boia que estiver
à mão para terem uma breve sensação de respirar
à tona,algum efémero prazer,uma qualquer euforia.
O futebol é um instrumento da catarse,
quando se ganha,uma ponte entre margens
contraditórias por onde tantas vezes - e bem -
não passa um rio.
Entretanto os protagonistas da mezinha
cuidam das suas contas bancárias.
O campeonato europeu,com a Irlanda
a ganhar por um a zero ao Tratado de Lisboa,
continua a exibir no país,a bandeira nacional,
hasteada nos sítios mais íncriveis - enquanto
o treinador e os jogadores,cidadãos acima da crise,
acrescem mais valias e fazem contratos milionários
no intervalo dos jogos.
De coração aberto e a crise às costas,a malta
chora,canta e aplaude - nas bancadas.