segunda-feira, 17 de outubro de 2016

ONDE VIAJO







Há um sulco invisível
nas águas
onde viajo
e me transformo

Eufrázio Filipe

sábado, 15 de outubro de 2016

SOMOS ONDE ESTAMOS



                                                                                      EDUARDO GAGEIRO




Em redor
excitante
nesta ilha
move-se um corpo
de metáforas

somos onde estamos

mas se tivéssemos um barco
com brilho nos olhos

nem tudo seria inútil


Eufrázio Filipe

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

A FINGIR DE BARCO






A respirar por guelras
subi ao chão das águas

lá estavas

à minha espera
a fingir de barco


Eufrázio Filipe

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

UM FÓSFORO CONTRA O VENTO





Quando abri a janela
a deshoras
o mar uivava
cão lindo
no ciclo das marés

organizava sussurros
para dar sentido
a um sopro de vento

A noite estava escura
tão escura
que nem parecia noite

Foi preciso acender um fósforo
contra o vento
libertar
num traço a cores
o contorno das sombras


Eufrázio Filipe

terça-feira, 4 de outubro de 2016

PALAVRAS E OUTROS DESTINOS





A cantarolar metias nos púcaros
uma feira de barro

mas hoje estavas tão só
a apascentar azuis
murmúrios barcos
de mãos nos ouvidos

a cantarolar pintavas lábios
com os lábios
nas nossas bandeiras

mas hoje estavas tão só
imaculada inteira
a dar vida aos pássaros

Despiste-te
por um instante
no espelho do cais

só mas nunca isolada
nas tonalidades melódicas
dos mares desgrenhados

isenta de palavras
e outros destinos

Eufrázio Filipe