quinta-feira, 12 de outubro de 2017

FLORES DE ESPUMA





Um círculo de garças
nem brancas nem esguias
adormecem nos barcos ancorados
com olhos excessivos

Nesta ilha sem vista para o mar
navegam águas improváveis
faúlhas num incêndio
de partículas sitiadas

Aqui paira o aroma da cânfora
em ressonâncias quase divinas
pousam lábios em cálices de cicuta

O mar não é sempre azul
e talvez por isso se agite
nos mapas imaginários
rasgue caminhos
para não se perderem os náufragos

Nesta ilha de bálsamos
onde os destinos se desmentem
afagamos ruínas soltamos hinos
por sobre a memória das pedras

damos voz aos silêncios
até que as garças
se tornem brancas
como flores de espuma


Eufrázio Filipe
"Que fizeste das nossas flores"



quinta-feira, 5 de outubro de 2017

DESVENTOS





No espelho das águas
sacudi amarras
a preguiça das marés

Não chovia
em redor dos teus olhos

mas quando te recolhi
numa folha de papel
incomensurável e linda
uma brisa
sentou-se na cadeira vazia

e nós começámos
de novo
a lavrar areias

a desbravar outonos
folha ante folha

Estava tão aceso o mar
que nem pareciam azuis
os teus olhos


Eufrázio Filipe
"Chão de marés" (reconstruido)

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

PSD DE JOELHOS PERDEU O PAÍS




Em todos os mares há barcos tresmalhados por ventos desfavoráveis, mas quando a direita política perde, é sempre bom motivo para festejar. 
A CDU perdeu algumas câmaras municipais, o Bloco não ganhou nada, o CDS permanece insignificante, o PSD de joelhos perdeu o país.
A "geringonça" vai continuar (?)