quinta-feira, 26 de outubro de 2017

A CADEIRA VAZIA






Em cardume
nos olhos dos peixes
lá estavam os pescadores

Na véspera dos relâmpagos
e outros afectos
dulcíssimos corações
clareavam as noites
e nós só podíamos fazer
o que fizemos

sentámos à mesa
os ausentes
levitámos em voz alta
o sussurro das marés
recolhemos estrelas
no chão das águas


celebrámos a cadeira vazia


Eufrázio Filipe
"Chão de Marés" colectânea 2013/2o16
editora Lua de Marfim


15 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

«e nós só podíamos fazer
o que fizemos»

se a cadeira ficou vazia
bem feito foi
o que apenas fizemos

Elvira Carvalho disse...

Como eu gostava de saber comentar este poema!
Abraço

Jaime Portela disse...

E há sempre uma cadeira vazia...
Excelente poema, gostei imenso.
Continuação de boa semana, caro Eufrázio.
Um abraço.

Cidália Ferreira disse...

Amei!! =)

Beijinhos

LuísM Castanheira disse...

este belo poema fez-me lembrar "...Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim...",
Naquela Mesa_Música:Sérgio Bittencourt
abraço

Marta Vinhais disse...

Há sempre ausências que falam alto...
Lindo..
Beijos e abraços
Marta

mz disse...

As palavras levitam as memórias ainda que as cadeiras estejam vazias,elas permanecem ocupadas de sentimento.

Um abraço,
mz


mariam [Maria Martins] disse...

Tão bonito. Como um mar . De afetos . Beijinhos

Teresa Almeida disse...

Os afetos - como relâmpagos - no âmago do poema. E um caminho em cada verso.

Beijinho.

S. disse...

Uma cadeira vazia é coisa triste e não há muito o que fazer.

Beijinho.

manuela barroso disse...

Cadeira vazia, chão com poucas estrelas.
Celebremos então o mar, no coração da noite.
Beijo, E. Filipe!

Armando Sena disse...

Sempre seremos emoções.
ab

Graça Pires disse...

Será que uma cadeira vazio significa a ausência? Neste poema, meu Amigo, ela traz-nos "os pescadores nos olhos dos peixes" e as estrelas recolhidas "no chão das águas". Tão belo!
Uma boa semana.
Um beijo.

Ana Tapadas disse...

Belíssimo, meu caro!
Eu poderia analisar, sabe-se que poderia...mas prefiro fruir!

Beijo

Ailime disse...

Celebrar a cadeira vazia relembrando os ausentes que se fizeram presentes.
Um poema belíssimo.
Beijinhos,
Ailime