quinta-feira, 5 de outubro de 2017

DESVENTOS





No espelho das águas
sacudi amarras
a preguiça das marés

Não chovia
em redor dos teus olhos

mas quando te recolhi
numa folha de papel
incomensurável e linda
uma brisa
sentou-se na cadeira vazia

e nós começámos
de novo
a lavrar areias

a desbravar outonos
folha ante folha

Estava tão aceso o mar
que nem pareciam azuis
os teus olhos


Eufrázio Filipe
"Chão de marés" (reconstruido)

13 comentários:

Tétisq disse...

é um vento que ateia olhos em vez de carvão.

Cidália Ferreira disse...

Maravilhoso, como sempre!

Beijo, bom fim de semana.

Marta Vinhais disse...

E viaja-se... sem que nada volte a ficar vazio....
Lindo...
Beijos e abraços
Marta

Bandys disse...

Como não amar?
Lindo
Beijos

Pedro Luso disse...

Difícil mesmo é lavrar areias.

Graça Pires disse...

"desbravar outonos folha ante folha". Como não havia de incendiar-se o mar e o olhar?
Magnífico poema, meu Amigo.
Uma boa semana.
Um beijo.

mariam [Maria Martins] disse...

Maravilha(da) ♡ beijinhos poeta

Pedrasnuas disse...

Assemelha-se a uma tela surreal.

Majo Dutra Rosado disse...

É necessário tornar a lavrar o mar arável...
Mister para hábeis lobos do mar...
Lirico, envolvendo os sentidos...
Muito belo.
Bj ~~~

Laura Ferreira disse...

lindo!

Odete Ferreira disse...

Água(s) redentora (s)...
Muito belo, cândido e tocante.
Bjinho

Ailime disse...

Um poema lindo, com o amor à flor das águas.
Beijinhos,
Ailime

graça Alves disse...

Lindo!
beijinho