domingo, 18 de fevereiro de 2018

DESVENDAVA-TE






Sempre que improvisas acordes
gosto de ouvir-te em silêncio

indecifrável
quase inocente
a libertar os mais contidos desejos

eterna por um fio
à luz de um fósforo

se soubesse explicar
o movimento das sombras
a dissonância do relógio de pêndulo
o chão dos barcos a  óleo
nas paredes da casa

pegava-te ao colo poema

desvendava-te

Eufrázio Filipe "Cháo de claridades"


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

CANTIGA DOS AIS





Sábado vai ser fértil em dois  "Congressos Nacionais "
Recordo a despropósito (talvez não) o nosso incomensurável Mário Viegas



eufrázio filipe


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

GRÃOS DE AREIA






Ao fundo
neste Inverno dissonante
cães de lume incendeiam
sopros de vento
nos recortes da serra

rasgam-se em sombras
ladram silêncios
às flores silvestres

mas tu resistes

continuas a lavrar grãos de areia

e a chuva cai desgrenhada
nos teus cabelos
surpreende-me em pleno voo
a ouvir-te cantar

não digas nada que seja
apenas o que os olhos vêem

fala-me por gestos



Eufrázio Filipe
(Chão de claridades)



sábado, 3 de fevereiro de 2018

ESCREVO MAR NOS TEUS OLHOS






Escrevo em voz alta
num acervo imaginário
para celebrar silêncios
a maturidade dos pássaros

oiço a tua voz
indomável
de mãos nos ouvidos
a inocência oculta
num jogo de transparências

e assim vem à tona 
uma nesga de luz
quando escrevo mar
nos teus olhos

Eufrázio Filipe