segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

VOU ALI E JÁ VOLTO


                                                                  DALI
                     

                                                       
Tudo pelo melhor
em família e outros amigos
no mastro mais alto


                                           

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

DEZEMBRANDO






À míngua de pássaros
subimos a pulso
a nossa escarpa preferida
só para ouvir
íntegro o vento inteiro

sem mãos nos ouvidos
nesta desordem organizada
disse-te

és a minha pátria
aquilo que não sei

À míngua de pássaros
nesta ilha sublimada
de sonhos e neblinas

dezembrando

se tivéssemos um barco
quase nada seria inútil



quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O IMPROVÁVEL CAMINHO DAS PEDRAS







É possível atear um fósforo
no coração dos pássaros
mergulhar no pináculo das águas
que se agigantam
dar um beijo
no mais íntimo das escarpas

Neste ciclo de marés
afectos e memórias vivas
para que tudo aconteça
contra o vento que faz
proclamo um brado
que alumie

o improvável 
caminho das pedras


sábado, 29 de novembro de 2014

NO PULMÃO DAS MARÉS



                                                                                                  republicado


Neste porto desobrigado de fronteiras
e outros céus
vem à tona a energia imperecível
dos desertos
o perfil escarpado da luz
fragmentos de círculo

Nesta apoteose de neblinas
defino a brancura do teu corpo
de pátria movediça
como um prado onde refulgem
transfigurações de barcos
rumores de outros mares

Amo esta janela com vista para o vento
onde é possível ser eterno
por um instante
povoar o silêncio errante das metáforas
e viver apaixonado
no pulmão das marés


domingo, 23 de novembro de 2014

RESISTE O MEU CÃO DE BARRO





A minha escarpa tem uma janela para o vento entrar de preferência com relâmpagos. 
Quando troveja inconformado abro a porta que dá para o alpendre e os "Serra da Estrêla" vertiginosos avançam amedrontados. 
Aninham-se nos tapetes da sala. 
De alma lavada e farto pêlo, entram casa adentro, sacodem-se, vivificam as paredes onde me acompanham um óleo do Kiki Lima, outro do Albino Moura, pratos alentejanos, uma falua em casca de ostra, uma estatueta da Papua Nova Guiné, o relógio de pêndulo, um poema do Eugénio de Andrade. 
Quando troveja e os céus se derramam, a minha escarpa alumia-se. Os "Serra da Estrêla" deitam-se e ressonam nos tapetes até eu pegar no sono e acordar a fazer poemas ou quase nada. Lá fora, imperturbável (e)terno a dizer coisas improváveis - o meu cão de barro - sem medos, resiste em vigília ao tempo que faz.