quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

UMA FOLHA À FLOR DA PELE








Pobres rios
tão rasos
que alimentam mares salgados
na esperança de serem eternos

tão cegos os seus olhos
na vertigem da escarpa
onde quase tudo converge
num ponto
inscrito na pedra
que se não verga

Pobres rios
que alimentam mares salgados
escrevem nas margens
e desaguam
estribilhos loas cantes lonjuras

a curta metragem
de uma folha
em pleno voo
desprendida
à flor da pele



 

domingo, 14 de Setembro de 2014

QUE FIZESTE DAS NOSSAS FLORES?



                                                                        2008



As árvores viajam
na sombra do verde
um sussurro de folhas
mas tu foges dos ramos

amanheces tão distante
que nem os meus olhos
descobrem os teus gestos

as árvores viajam
onde acontece a cor do fruto
no chão
e os pássaros sem amos
deixam que a sombra se rebente

meu povo
que fizeste das nossas flores


 

terça-feira, 9 de Setembro de 2014

APENAS UM TRAÇO







No rasto de um risco
em pleno voo
com asas de vento
as pétalas
no chão
que os cães não pisam

no rasto de um risco
deixei no papel a caligrafia
de uma pestana
em forma de vírgula
um gesto de lágrima cansada

no rasto de um risco
em pleno voo
com asas de vento
a carvão
pássaros
cães
sombras amovíveis
no entardecer das paredes da casa
marés ao rubro
nas fogueiras e nos mastros

que fiz eu?

nada

apenas um traço.



 

quarta-feira, 3 de Setembro de 2014

FESTA DO AVANTE VOZES AO ALTO


                               
                                      

                                                                                                                                                                                           
ALVARO CUNHAL sempre presente         
 
 

sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

ENCANTATÓRIAS PEQUENAS PÁTRIAS







Linda plumagem quase hulha
olhos de mel
graciosa no salto
à noite uma centelha no poleiro
inverosímil aos arrufos
íntegra a cacarejar
depositava o mais branco ovo na palha

Aparente  mente feliz
morreu hoje
a minha galinha preta
e eu só podia fazer o que fiz

ofereci-lhe palavras
encantatórias pequenas pátrias