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Nas margens do rio
onde habito
respiram pautas desertos
retratos íntimos de flores
a preto e branco
repousam mãos famintas
Nas margens deste rio
quando a noite amanhecida
não dorme
ouvem-se pêndulos vagares
cadenciados
agitam-se os dedos
o tempo ousado dos poetas
que não eu
artesão de metáforas
No fulgor das águas
desprendo-me
a profanar metáforas
para ver mais claro
o teu corpo antigo
baloiçar nas paredes da casa
Eufrázio Filipe
"Chão de claridades" editora Lua de Marfim
O colossal perigo para o mundo será Trump nacionalista assumir a vertigem do poder pessoal, por cima das instituições dentro e fora do seu país.
No seu discurso de posse, pato bravo ignorou a Constituição, os direitos humanos e até os seus adversários.
Populista imprevisível, perigosa criatura, prometeu o descalabro, o crescimento da temperatura e da desordem internacional.
A menos que um novo David assuma a pedra nas ruas,
contra o medo.
No compassado ciclo das marés
à vista dos sereníssimos
moinhos de maré
lá estavam
garças seixos e corvos
tão breves como nós
a inventar destinos
sem âncoras nos sapais
De passagem
para outros azuis
entoamos silêncios
resgatamos barcos
para não perder o rio
beijamos a memória das pedras
Eufrázio Filipe
Nem remos nem passos
mesmo que se movam
numa cadência de gestos
nem palavras navegáveis
a pressa de um beijo
nada é urgente
a menos que se transcendam
a natureza dos barcos
à flor das águas
os desvalidos
no coração dos pássaros
Eufrázio Filipe
O Dr. Mário Soares, incontornável figura nacional, marcou o país com as suas convicções.
Neste momento doloroso, para alguns meus bons amigos, simpatizantes do dr.Mário Soares,
o meu abraço sem lapelas partidárias.
Por um instante alguns merecem ser eternos
Mário Soares Cumpriu-se