segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

ARTESÃO DE METÁFORAS





Nas margens do rio
onde habito
respiram pautas desertos
retratos íntimos de flores
a preto e branco

repousam mãos famintas

Nas margens deste rio
quando a noite amanhecida
não dorme
ouvem-se pêndulos vagares
cadenciados
agitam-se os dedos

o tempo ousado dos poetas
que não eu
artesão de metáforas

No fulgor das águas
desprendo-me
a profanar metáforas
para ver mais claro
o teu corpo antigo
baloiçar nas paredes da casa


Eufrázio Filipe
"Chão de claridades" editora Lua de Marfim

22 comentários:

Marta Vinhais disse...

E devemos ser sempre ousados... nas memórias... no tempo... no poema que escrevemos...
Gostei muito...
Beijos e abraços
Marta

Laura Ferreira disse...

que bonitas as margens deste rio :)

Agostinho disse...

O teu ousar é legítimo e certeiro.
Basta começar pelo fim e contemplar
qual animatógrafo o belo baloiçar
projectado na parede da casa.

Abraço CT

Rogerio G. V. Pereira disse...

...e já agora
a página 242
podes?

Olivia disse...

Um corpo que é inevitavelmente poético.

Elvira Carvalho disse...

E acontece poesia, quando as margens do rio, extravasam a memória do poeta.
Abraço

Ana Tapadas disse...

Artesão, dizes-te...mas é mestre!

Bjs

Bandys disse...

O ousar do poeta
provoca poesias lindas e intensas.
Beijos

LuísM Castanheira disse...

do imaginário do poeta, passa um 'filme' de sombras, num rio de emoções.
Gostei
abraço

© Piedade Araújo Sol disse...

o poeta ousa
e com as mãos famintas
e o olhar ausente
o poeta nunca dorme
mesmo que habite nas margens do rio
ou do mar

;)

Chinezzinha disse...

da tua mente saem belos poemas como este aqui.
adorei, Mar.
:)
beijo

Rita Freitas disse...

E eu profanei este poema na minha mente :)

Abraço

GarçaReal disse...


Belíssimo poema

Bjgrande do Lago

jrd disse...

Belo poema de palavras límpidas e ondulantes.
Abraço meu irmão poeta

anamar disse...

Mar Aravel, uma bela metafora de Eufrazio Felipe.

Sofia disse...

São sempre belas as suas metáforas.

Bjs

Silenciosamente ouvindo... disse...

É muito bom quando a mente ousa
aplicar metáforas e fazê-las
interrogar-nos.
Um abraço amigo.
Irene Alves

Teresa Almeida disse...



Um habitáculo sujeito ao fulgor das águas. Gostei do artesanato.

Beijo.

Odete Ferreira disse...

E que bem as esculpes, Filipe! Depois, é só colocá-las nos teus lugares de culto.
E, mesmo que não haja assinatura, sei de quem são.
Bjo, amigo :)

graça Alves disse...

É lindo!
Beijinhos

Ailime disse...

Um rio repleto de excelente poesia.
Beijinhos,
Ailime

Cristina Cebola disse...

Gostei deste galgar de margens...:)