quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

À FLOR DAS ÁGUAS






Nem remos nem passos
mesmo que se movam
numa cadência de gestos

nem palavras navegáveis
a pressa de um beijo

nada é urgente

a menos que se transcendam
a natureza dos barcos
à flor das águas
os desvalidos
no coração dos pássaros


Eufrázio Filipe

21 comentários:

Maria Eu disse...

Tão bom que seria viver sem urgência(s).

Belo!

Beijos, MA :)

Rogerio G. V. Pereira disse...

nada é urgente
a menos que...
...o poema
nos transcenda

teresa dias disse...

Lamentavelmente, neste mundo de pernas para o ar, tudo é urgente.
Lindo!

Elvira Carvalho disse...

Muito bonito.
Um abraço

Graça Pires disse...

Nada é urgente. A não ser o silêncio gritante do poema.
Belíssimo!
Um beijo, meu Amigo.

Olinda Melo disse...


Flutuando apenas!

Abraço

Olinda

Tais Luso disse...

Quando a gente esquece as urgências a vida flui maravilhosamente!
Isso sim é viver.
Bjs, amigo!

Laura Ferreira disse...

há poemas que se tornam urgentes...

Agostinho disse...

A urgência é que tudo tenha um tempo!
Até para os desvalidos barcos evocados no poema.
Como sempre, a nata poética de EF.
Abraço.

Marta Vinhais disse...

E deixar que o olhar se adapte....e sinta o beijo, o murmúrio das águas...
Nesse momento que é só nosso e se torna o nosso segredo....
Beijos e abraços
Marta

Olivia disse...

A pressa, às vezes, atrapalha.

Olá, sou a Olivia, nova por estas bandas. Gostei do blogue. :)

Sofia disse...

Onde falta a sabedoria, sobram passos e remos...
Belíssimo.

Teresa Almeida disse...

Há desânimos e pressas.
Entretanto o poema respira, sem urgência.

Beijo.

Emília Pinto disse...

Queremos sempre andar à frente do tempo, queremos mais horas, mas não adianta...ele só nos permite vinte e quatro horas e seria bom que as soubessemos viver, sem correrias; nada é urgente! De repente, chega aquele " instante da ultima despedida " e a pressa só fez com que deixassemos de viver os instantes preciosos que nos foram dados. Os barcos são frágeis e tem que se saber remar calmante nas águas tantas vezes turbulentas. Os remos quebram-se e o barco afunda-se. Há que ter cuidado e pensar na melhor maneira de fazer com que o barco se aguente. Beijinho, amigo e um bom fim de semana
Emilia

© Piedade Araújo Sol disse...

nada é urgente
e tudo se renova

no tempo

beijo

:)

Cristina Cebola disse...

Que se calem todos os silêncios...
É urgente sublimar a poesia, para amaciar o mundo.

Gosto deste cais, onde os pássaros também navegam.

Bom fim de semana Poeta!!

graça Alves disse...

Sem pressas...
Bonito!
Bj

anamar disse...

A menos que...

Há sempre um certo carácter de urgência...

Abracinho

:)

Jaime Portela disse...

Belas palavras, Como sempre.
Boa semana, caro amigo Eufrázio.
Abraço.

Ailime disse...

Nada é urgente quando a poesia emerge fluente e bela "à flor das águas".
Beijinhos,
Ailime

MJ FALCÃO disse...

"É urgente o amor/é urgente um barco no mar", dizia Eugénio de Andrade.
Mas nada é urgente, afinal, também acho eu...A menos que...

"nada é urgente

a menos que se transcendam
a natureza dos barcos
à flor das águas
os desvalidos
no coração dos pássaros..."
Abraço