Quando eras um rio
a rasgar caminhos vertiginosos
e as escarpas seguiam
imaculadas os teus olhos
os peixes ficavam encarnados
na tua boca
nidificavam entre margens
enleados
Quando as sombras das pontes
nem sequer eram fronteiras
e eu disse que os rios correm
do ventre até à foz
tu sabias que só o mar
os acolhe
Quando eras um rio
eu dava os primeiros passos
na água