segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A RASAR O VENTO


Ainda não chovia

da ultima vez que raptei

o sinal que trazias nos olhos

Consentiste que fosse o ladrão

do teu olhar

mas tive que rasgar uma janela

por sobre as águas

Estavas num barco

caiado de branco

com palavras a arder

e eu perguntei-me

que fazer deste lume?

Aproximei-me e vi claramente

uma balsa sublimada

a rasar o vento

onde me transporto

34 comentários:

Paula Raposo disse...

Um poema muito belo...beijos.

anamar disse...

Ladroes de olhares...precisam-se, com a mesma onda poética!
Simplesmente , simples e belo...
:))

Teresa Durães disse...

belo poema!

A Senhora disse...

Mas seria capaz de remar contra a maré?

:)

bjs

jrd disse...

E foi assim que ficaste um Mar em chamas.
Abraço

Meg disse...

É talvez pouco dizer que é mais um belo poema, este que aqui nos deixas, mas é um sentimento de prazer o que fica...sempre que te leio.

Um abraço

heretico disse...

chamas sobre as ondas. que o inesperado vento (esse pirata) inflama...

belíssimo.

abraço

Cauan disse...

Um poema brilhante. A subjetividade é o reflexo de toda objetividade contido em um poema. Parabéns. Me apresentando: sou o sobrinho da Alana. Abraços.

Justine disse...

Instintivamente (qual puma elegante?) vão-se roubando olhares e lumes, necessários à sobrevivência.

oasis dossonhos disse...

Amigo:
Desculpa-me a ignorância, mas tens algum livro recente?
Lembro-me de ti, naquela magífica festa "De Braço Dado" no Pavilhão Carlos Lopes, que no final dos anos 70 ainda era Pavilhão dos Desportos... depois soube de ti pelas notícias que chegavam do Seixal, dos prodígios que foram realizados, o sonho (ou a Poesia) em movimento podia ter sido (bem, não sei se foi)o slogan desses dias certamente inesquecíveis...
Este poema tem uma beleza, uma energia, uma tecelagem de ondas e remos, de voo e silêncio, uma musicalidade de sílabas e anseios, que~as palavras são muito pouco para dizerem essa magia, a forma como partilhas...
Bem Hajas, Companheiro!
Luís

mfc disse...

Dizer-se enamorado desta forma é sempre lindo.

Maria Valadas disse...

Sempre
Belo

O que escreves.


PS: Somente a ti, devo esta explicação, porque foste o único que não deixou de me comentar.

Tomei a decisão de fechar os comentários, porque não posso retribuir quem me comentava.

Gostava de ter saúde... mas não tenho....

Beijos

CNS disse...

O que transporta um só olhar

PreDatado disse...

Obviamente que a qualidade dos seus poemas já nem necessitam comentário, mas queria saber de quem é o quadro. Seu?

N disse...

Há muitos anos conheci um presidente de câmara com voz de declamador, pena de poeta e olhos do azul do mar que aqui retrata. Passados anos, o presidente poeta tomou conta da região de turismo de uma costa da cor dos seus olhos. A poesia, essa, manteve-a ao longo dos anos, da mesma forma que manteve a voz de declamador e o tom de "Sado" mantem-se no olhar profundo com que encara a vida.
Gosto de ler o mar neste blog. Tornei-me visita diária. Belos poemas e imagens sempre apropriadas.
As palavras do poeta no seu melhor neste "encantar de serpentes" que é o seu Mar Arável.
Um abraço

Natália Abreu

mariabesuga disse...

Enredas as palavras de forma tal que dizer amor parece fácil.
É?!?!?!...
Deve ser simples pelo menos mesmo que não tão fácil assim.
Tu dize-lo muito bem.

Abraço

Mar Arável disse...

PreDatado

o óleo é retirado da net

sem identificação

São disse...

Um dos teus mais lindos poemas, na minha opinião.

Abraço-te.

isabel mendes ferreira disse...

a.raso-me aqui.


amigo. de amigo.


beijo.

virgínia do carmo disse...

As palavras, como a água, o fogo e vento, são também elas uma força da natureza. E também roçam na pele... também inflamam... Também inundam...

Licínia Quitério disse...

O fogo e a água,
elementos do amor.

Muito bonito.

vermella disse...

Iste poema é como navegar en sí,a auga misturada co lume ate unha calma en forma de balsa ...
precioso!!,beijhos.

gabriela rocha martins disse...

rendo.me
incondicional mente
à beleza do poema

e no vento ,deixo



.
um beijo

maria josé quintela disse...

sublime ofício de roubar olhares!





beijo.

Graça Pires disse...

"Estavas num barco
caiado de branco
com palavras a arder
e eu perguntei-me
que fazer deste lume?"
Um poema fabuloso, amigo!
Beijos.

Mateso disse...

Voga a balsa em palavras diáfanas de sentir.
Belo.
Bj.

Arabica disse...

A poesia é uma balsa em tuas mãos.

Beijos

Graça disse...

Lindíssimo, porque não sei dizer mais!


Um beijo de bom fim de semana

Chris disse...

A beleza incorporada nas palavras...
Beijo
Chris

maré disse...

e rouba-se um olhar

a incendiar este vento
das asas onde te guardo

_______

lindo Eufrázio

beijo, de águas, também elas em circulos incendiados

mariam disse...

Tão BELO !

um sorriso :)
mariam

opolidor disse...

apercebo-me de uma atracção pelas águas...

Anónimo disse...

"A rasar o vento"
que soprava de norte
naquela noite
no monte alentejano
"caiado de branco"
aconcheguei os paus
da lareira.

As línguas de fogo
iluminaram toda a sala
caiada de branco.

Espreitei pela vidraça
e aguardei...
a chegada do ladrão
do meu olhar...

princesa

Helena disse...

Mais um poema que lhe vou roubar.
É sempre um enorme prazer ler os seus poemas, mas há sempre um que nos toca particularmente.
É o caso deste.
Obrigada.