segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

TU CANTAS

 



Entre oliveiras buganvílias
e latidos de cães
resiste um poço
a céu aberto
onde temos por hábito
falar baixinho
para não acordar silêncios

No fundo do poço
há um espelho vertiginoso
luz que assoma
aos nossos olhos escarpados

Quando chove a cântaros
tudo fica mais claro
a fluir
na solidão das estrelas

No fundo do poço
não há espaço para cantar
mas tu cantas


eufrázio filipe


22 comentários:

Janita disse...

Os poços a céu aberto são perigosos.
Melhor é mandar tapar.
Quanto ao canto, sempre ouvi dizer que quem canta seus males espanta. Sigamos o exemplo do passarinho.😊

Um abraço, Poeta.

luisa disse...

Os pássaros não se calarão. :)

" R y k @ r d o " disse...


Que as aves nunca se calem e/ou cansem de cantar. As suas melodias são a orquestra da natureza. O Poço? Só ouço as aves. Não ligo ao poço, lol
.
Uma semana feliz. Cumprimentos
.
Pensamentos e Devaneios Poéticos
.

Cidália Ferreira disse...

A imagem é encantadora!! :))
-
Parece um parto feito em plena natureza
-
Beijos e uma excelente semana.

MARILENE disse...

Sempre que passeio pelos seus versos me encanto. E nisso reside o valor e um poema, para mim. Por mais fundo que seja o poço, seu silêncio não permanece adormecido diante de um canto. Abraço.

Rogério G.V. Pereira disse...

Cantemos! Cantemos
neste poço sem fundo
em que está caindo o Mundo!

José Carlos Sant Anna disse...

Entre cantos e poços
sem fundo há cântaros
e acordes intensos
de silêncios

Abraços, caro poeta!

Ailime disse...

Que o canto nunca se perca.
Magnífico poema!
Beijinhos,
Ailime

Graça Pires disse...

Os teus olhos escarpados veem a luz das palavras e dos silêncios. E cantas porque a voz te pede. Tão belos os teus poemas, meu Amigo!
Uma boa semana. Cuida-te bem.
Um beijo.

Maria João Brito de Sousa disse...

Que os poços nos não calem!

Forte abraço!

manuela barroso disse...

Quando a natureza se faz presente com todo o seu encanto , é um manancial poético que se faz tão vivo , tão presente.
Até no poço mais fundo ela regurgita e vibra .
Tão belo !
Um bji EF

Rosa dos Ventos disse...

O canto do melro e o fundo do poço vão-se equilibrando!

Abraço

Micaela Santos disse...

"Para não acordar silêncios"
Lindo!
Quantar vezes precisamos visitar este lugar para a nossa alma estar em silêncio!
Gostei muito!
Beijinho

Lígia Casaca disse...

É preciso muita coragem e ousadia.

Sónia M. disse...

No fundo do poço é, quase sempre, onde o canto nasce...

mz disse...

Maravilhoso!

Recordei uma memória em que a casinha do poço era para um refúgio para os meus amigos rapazes que gostavam de ir lá para dizer palavrões e escutar o eco.

Desculpe.

O seu poema é lindo e que se cante mesmo não havendo espaço.
Abç.

lupuscanissignatus disse...

também dos poços se bebe o cante da luz

Jaime Portela disse...

Não há poços sem fundo para o canto.
Magnífico, gostei imenso.
Continuação de boa semana, caro Eufrázio.
Abraço.

Elvira Carvalho disse...

Pois que nunca se cale a voz que canta.
Abraço, saúde e bom fim de semana

Ulisses de Carvalho disse...

porque seguir cantando é uma forma de resistência!

Roselia Bezerra disse...

Olá, amigo.Mar Arável!
"... Falar baixinho
para não acordar silêncios."
Que versos lindos! Tanta delicadeza no seu poetar.
Esteja bem, amigo.
💐👼🙏🕊️😘

teresadias disse...

Que bem canta o poeta neste poema magnífico!
Qua nada cale o canto.
Beijo, saúde.