quarta-feira, 1 de novembro de 2017

SINAIS DE PENAS






Cumprida a colheita
decepadas as videiras
sem lágrimas soltas
na mesa redonda
do alpendre
só há lugar cativo
para os pássaros

timbres
mais leves que as cinzas
sopros de vento
na folhagem desprendida

Aqui em torvelinho
se deitam
os deuses do costume
que não dormem
palavras desalinhadas
sinais de penas


Eufrázio Filipe

17 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Poeta
tens a palavra certa

dirige-a aos deuses que não domem
e que acordem
desse cómodo colchão de penas

ou então
não
deixa-os
deixa-os, deixá-los

e antes liberta
os pássaros

Elvira Carvalho disse...

O que lhe posso dizer, poeta, que não caia nos lugares comuns de lindo, muito bonito, ou gostei muito, que nada dizem?
Na verdade não sei, porque a verde é que achei lindo e gostei muito.
Abraço

Cidália Ferreira disse...

Muito bonito!!

Beijos e uma excelente semana

LuísM Castanheira disse...

soltam-se todos os mistérios...
nos oráculos de Baco.
abraço

saudade disse...

Gostei do que li...
Sinais de penas...

Saudade

Marta Vinhais disse...

Que se soltem os pássaros...O sopro do Vento que leve as palavras aos Deuses para que as escutem...
Lindo..
Beijos e abraços
Marta

mz disse...

Os pássaros e a liberdade de um poiso sempre reservado, tal qual um poema que chega com lugar cativo, neste "mar arável".

Um abraço.

Teresa Almeida disse...


Um desalinho tão confortável! De deuses!
Beijo.

Olinda Melo disse...


Os pássaros, com lugar cativo aqui neste espaço, cumprem a sua missão naquela aspiração de liberdade que nos alenta. Por vezes, são só migalhas mas, com persistência encontraremos o caminho mais frutuoso.

Abraço

OLinda

Fá menor disse...

Que se libertem os pássaros, ainda que se soltem as penas!

Bj

manuela barroso disse...

Ambiente perfeito para voar nas palavras !
Beijo !

AC disse...

Com pena se escreve sem pena.
Muito bom!

Abraço

Graça Pires disse...

As palavras desalinham-se porque os pássaros permanecem no poema com as penas ansiosas do seu voo.
Belo, como sempre, meu Amigo.
Um beijo.

Diana Fonseca disse...

Os pássaros têm mesmo um lugar especial, sortudos.

jrd disse...

Resta-me um cacho solitário, o primeiro e último, que olho demoradamente para entreter a melancolia dos dias.

Um abraço fraterno Poeta

Agostinho disse...

Vim ver a pena que escorre a hipnose,
o espanto das palavras
que nos sustentam, nos constituem
átomo a átomo até sermos ser
A palavra é a nossa razão de ter.

Ailime disse...

Sinais de penas repletos de excelente poesia!
Beijinhos,
Ailime