sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

MAIS LIVRES QUE OS PÁSSAROS






A letargia dos barcos
surpreende todos os silêncios
neste cais
onde nada é inútil
mas tudo é tão frágil

e nada mais acontece

neste cais
os pássaros em desassossego
banham-se à sombra dos mastros
espantam-se de tanto se olharem
na concha das nossas mãos

e nada mais acontece

até o cais ser um cristal
mais forte que o seu brilho
golpe de asas e seara
contra todos os destinos

Nesse dia
ai nesse dia
de tanto querer voar
nos tornaremos alados
no espelho da água
mais livres que os pássaros


Eufrázio Filipe



22 comentários:

luisa disse...

Quem dera voar assim.

redonda disse...

Gostei.
um beijinho e bom fim-de-semana

Janita disse...

Que esse dia chegue rápido, Mar...também eu queria voar tão livre, ou mais, que os pássaros!

Beijo, bom fim-de-semana.

Anabela Jardim disse...


há muitas formas de voar, por isso, mesmo não sendo pássaro é possível voar. Bjs

Odete Ferreira disse...

"Neste cais" tudo acontece porque assim o determina o teu voo.
Sempre pássaros, os teus dedos!
Bjinho, Mar :)

Rita Freitas disse...

O silêncio do cais :)

Beijos

LuísM Castanheira disse...

Se a memória não me falha acho que já comentei este belo poema.
De qualquer forma, ao relê-lo, 'vejo' que tudo 'acontece' aos olhos do poeta.
Um abraço.

Agostinho disse...


...este voo tão alto
acima de barcos e cais
que já nem avisto penas
É eu rente às águas
pergunto onde vais?

Abraço.

Mar Arável disse...

Caro LUIS
Grato pela sua boa memória

Mar Arável disse...

Agostinho

Aprecio muito as tuas metáforas
Abraço

Maria disse...

Não imagino o que é ser mais livre do que um pássaro. Mas deve ser, com certeza, muito bom!

Chinezzinha disse...

"Nesse dia
ai nesse dia
de tanto querer voar
nos tornaremos alados
no espelho da água
mais livres que os pássaros"

como eu sinto saudades de quando era livre.
que belo poema.
bjs

Anónimo disse...

Penso que estou a perder a pouca capacidade de comentar poesia que em tempos tive, mas gostei muito deste cais onde um dia seremos mais livres do que os pássaros que trazemos nas conchas das nossas mãos...

Bjo

Maria João

graça Alves disse...

Belas palavras!
Bj

Graça Pires disse...

Que venha esse dia, amigo. Então tudo acontecerá tão rente ao coração que ganharemos o voo verdadeiramente livre...
Um belo poema, este.
Uma boa semana.
Um beijo.

Olivia disse...

E os pássaros voam para esse cais porque é mais seguro.

Elvira Carvalho disse...

Nesse dia, eu quero estar entre os pássaros.
Um abraço e uma boa semana

A Casa Madeira disse...

Nesse dia li, observei e gostei.
Prazer em conhecer seu blog.
janicce.

Ailime disse...

Um poema muito belo.
A fragilidade que nos limita no “voo mais livre que pássaros”.
Beijinhos,
Ailime

teresa dias disse...

Um dia eu vou conseguir voar... para o "céu".
Belo poema.

Cristina Cebola disse...

Só ao poeta é permitido voar assim...
Gosto deste cais, onde me deleito...

Abraço

manuela barroso disse...


...mas "os pássaros olharem-se na concha das nossas mãos..." já é um acontecer tão poeticamente redondo!..
Beijinho EF