terça-feira, 26 de abril de 2016

MAIO





Hoje um poeta morreu
no trabalho
a construir poemas

João Corinto servente
não sabia palavras
só tijolos e cimento

Um pé fora do andaime
o chão não era de cravos
e as aves
bateram asas

Hoje um poeta morreu
no trabalho

Projectou-se do oitavo verso
do seu poema

Eufrázio Filipe
(2008)
 

26 comentários:

Rúbida Rosa disse...

Lindo. Como sempre.

Carmem Grinheiro disse...

Mas o poeta perdeu o chão.
Tristeza a par da beleza nessa construção.

abç amg

teresa dias disse...

Tanta beleza e dor em cada letrinha deste poema...
A vida é projecto e risco.

Armando Sena disse...

Da construção dos versos se fez obra.
Tudo ressuscitará num poema.
ab

Andrea Liette disse...

Vê, querido poeta, a sorte daqueles que ainda cantam- enquanto tantos morrem em silêncio.

Linda homenagem. Beijos.

Marta Vinhais disse...

Mas haverá um poema que não o esquecerá... E continuará vivo....
Lindo...
Beijos e abraços
Marta

Majo disse...

~~~
Muito belo e pertinente.

Beijo, Poeta.
~~~~~~~

Anónimo disse...

Fizeste lembrar o "Operário em construção". E que bem o descreves tu, o servente, às tantas a prazo, na vida e na poesia.
Um Abraço de cravos, SEMPRE!
Bettips

Rogerio G. V. Pereira disse...

Nosso luto é vermelho

Zilani Célia disse...

LINDO ISSO, O POETA MORRE, MAS, AINDA BEM QUE

SUA OBRA, PERMANECERÁ.
ABRÇS

http://zilanicelia.blogspot.com.br/

heretico disse...

... e assim a Poesia se faz argamassa de Vida!

abraço (emocionado), Poeta.

© Piedade Araújo Sol disse...

Um poema lembrar Abril
a lembrar Maio
e o operário em construção
um poema forte e no entanto o Poeta soube usar muito bem as palavras que o constroem

um beijo

:)

manuela baptista disse...

mesmo na morte, uns projetam-se outros não

Odete Ferreira disse...

Mais do que a homenagem (o trabalhador anónimo, esquecido e desrespeitado, apesar da poeticidade que mora em cada uma) e até uma subliminar chamada de atenção para a falta de condições de trabaho , relevo a originalidade e beleza da construção poética.
Que não morram os poetas...
Saio encantada.
Bjo, Filipe :)

Zé Povinho disse...

Uns partem, outros chegam e a Liberdade só floresce se bem regada.

Abraço do Zé

Suzete Brainer disse...

Um poema grandioso,
com o grito humano (sobrevoando na dor do
João trabalhador) do olhar do poeta!...

Lembro-me a música do Chico Buarque
"Construção".
Bjs.

graça Alves disse...

Belo trabalho!
Apreciei a partilha

Almma disse...

Ah... Que lindeza.

bettips disse...

Até (me)parece que o 25 de Abril veio antes do 1º de Maio para que este fosse comemorado MAIS!
Abç

Sonia Pallone disse...

O poeta morreu voando...e a poesia, soterrada... Lindo o seu poema Mar Arável! Obrigada pelo recadinho no Solidão de Alma. Beijos

Graça Pires disse...

Um poema tocante por ser tão real. Todos os dias morrem os poetas do trabalho mais árduo. Disseste isso num poema fantasticamente acutilante.
Um beijo, meu amigo.

Beatrice Mar disse...

Para assinalar este dia, levei este poema, se não concordar será retirado.
obrigada
:)

Ailime disse...

Um poema magnifico!
"Um pé fora do andaime
o chão não era de cravos
e as aves
bateram asas
"
E assim continua!
Beijinhos,
Ailime

Agostinho disse...

Se o poeta fez
sílaba a sílaba
perfeita construção
o poema tijolo a tijolo
erguer-se-á numa canção
sempre acima do chão

jrd disse...

Tão alto era o poema em construção. Impressivo o teu poema meu irmão

Abraço fraterno

ana disse...

Outro que me tocou.
Boa semana!:))