domingo, 22 de março de 2015

A VOZ OCULTA DA LUZ



                                              republicado



As pedras marinhas de tão azuis
regressam à tona
juntam-se para respirar
a paciência das aves
cumprem destinos de migalhas

respiram fundo pelas narinas do vento

Viris e soltas povoam afluentes
puríssimos novos celeiros

talvez por isso queiram voar
contra o rosto das palavras
ou pairar como sinais de penas

As  pedras marinhas
reanimam a voz oculta da luz
que se quer liberta insofrida

a coragem de lutar sobre ruinas




     Eufrázio Filipe

9 comentários:

S. disse...

As vezes é preciso respirar fundo e seguir em frente.

Sua poesia é de uma delicadeza imensa.

Beijinho.

Rogerio G. V. Pereira disse...

Em cada verso
revejo mais uma razão
porque cabem aos poetas
dar ânimo a quem luta

não que me falte agora
mas cada dia é mais difícil
lutar sobre ruínas

Laura Santos disse...

O problema é que muito poucos têm a coragem para lutar a partir de ruínas. E a voz inconformada dos poetas tem sempre uma razão de ser. m
Mas teria mais, se as vozes fossem divulgadas.
No fundo , ninguém quer saber.
xx

manuela barroso disse...

Tão cristalina que me ofuscou o azul!
Imensa, a sua poesia!

Maria Eu disse...

O azul vence o cinzento, sempre.

beijo, MA. :)

Olinda Melo disse...


Vir à tona respirar o perfume de palavras marinhas que esvoaçam com as aves, é bom, muito bom. E a voz oculta da luz acabará por se fazer ouvir.

Abraço.
Olinda

© Piedade Araújo Sol disse...

ruínas

que acolham a coragem!

não é simples!

um beijo

:)

Agostinho disse...

Os sinais de penas que as penas deixam gravados no rochedo hão de guiar as aves pelo labirintico percurso da liberdade.

EU disse...

Até o obscuro anseia pela claridade... Mas quando está há tempo demais nas profundezas, o fôlego falta...
Sempre um encantamento passear-me nos teus versos.
Bjo, Mar :)