quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

ÁGUA DE BEBER







Não pediam esmolas
nem clemência
nem orações

não pediam
não choravam
nem temiam

queriam repartir
o sol a chuva a terra
o mar e o pão

Sem quebrarem uma pétala de sal
vagas altíssimas
mais altas que os céus

flores vermelhas
cor dos lábios
entoadas em coro

distribuíam aos pássaros
na concha das mãos

água de beber



30 comentários:

Til disse...

Nem todas as pessoas sabem dar de beber...

jrd disse...

Corajosas são as sedes solidárias.

Grande poema.

abraço amigo poete

Rogerio G. V. Pereira disse...

(bonito, isto)

Janita disse...

Quando se repartem com carinho, as bênçãos da terra, fica-se com a boca seca! Nem todos sabem distribuir essa dádiva divina que é a água, de modo a que nos mate, verdadeiramente, a sede de beber!

Há sedes nunca saciadas e boas vontades, eternamente incompreendidas.
Muito bonito isso que escreveu!

Beijinhos.

EU disse...

Doar o que não se tem, é o milagre do SER...
Bjo, Mar :)

Majo disse...

~
~ Não pediam... Não temiam... Repartiam...
Distribuíam simples água, fonte de vida...

~ ~ ~ Belo! ~ ~ ~
.

Marisa Giglio disse...

Obrigada por partilhar esta beleza . Beijos

vendedor de ilusão disse...

Lindo, magnífico! "Dar água na concha da mão" encantou-me ler.

heretico disse...

abraço, meu irmão Poeta.

privilégio grande este Poema.

© Piedade Araújo Sol disse...

um poema que tem tanto de simples, como de verdade

nas suas entrelinhas, o Poeta sabe da sede de beber

gosto!
:)

EU disse...

Vi uma notícia e descobri algo mais deste amigo das letras. Congratulo-me. Parabéns! :)

Lídia Borges disse...


"água de beber"... Sede extinta em tão bela intenção.


Um beijo

AC disse...

A mais elementar e mais bela das distribuições.

Abraço

GL disse...

A verdadeira partilha!

S. disse...

Belo, como o ato em si.

Beijo.

Agostinho disse...

Bem-aventurados os que repartem
sem ter.
Bem-aventurados aqueles que bebem
desta água.

OceanoAzul.Sonhos disse...

duma sensibilidade imensa.
saudades d o ler


abraço
cecilia

Ailime disse...

Magnifico poema!
"Na concha das mãos" a água da vida!
Bjs
Ailime

Graça Sampaio disse...

Muito bonito!

Tão lindo como este de Jobim:

http://youtu.be/HFVXZS2a3S4

CÉU disse...

Suavidade com erudição:)

Ana Tapadas disse...

Belo na sua justiça impoluta!

Beijos

Graça Pires disse...

Repartir. Ser solidário. Chegar à água pelo cheiro da sede...
Belíssimo!
Um beijo.

Licínia Quitério disse...

Tão bonito será esse tempo de distribuir a água.

JANE GATTI disse...

Neste mundo caótico, em que as diferenças são repelidas e atacadas, é preciso urgentemente que haja aqueles que, em lugar de ferir ou acusar, queiram repartir o sol a chuva a terra o mar e o pão... Abraços.

MJ FALCÃO disse...

Sim, muito belo:
"queriam repartir
o sol a chuva a terra
o mar e o pão"...

Pata Negra disse...

já não há água de beber
já não há fontes
há apenas garrafas de plástico
aguardando imaginação pra mais um imposto
um abraço com versos no cotovelo

Maria Eu disse...

A melhor das dádivas...

Beijinhos, MA! :)

Charlie disse...

É cada vez mais urgente, mas o que mais temos e em abundância é esta sensação universal de dor...

oasis dossonhos disse...

Grande abraço, celebrando a beleza e a fraternidade.

manuela baptista disse...

tão singulares eram