domingo, 18 de janeiro de 2015

DESNUDA-SE A ROMÃZEIRA




Neste tempo antiquíssimo
de soluços e mãos dadas
as palavras sem abrigo
com asas enxutas
dedos rendilhados
procuram uma luz sem ameias
alento
para o mar crescer
nos teus olhos

Neste tempo de alaúdes
resiste ao pranto
o relógio de pêndulo
nas paredes da escarpa

desnuda-se a romãzeira


29 comentários:

Imprópriaparaconsumo disse...

Gosto de mergulhar nas ondas de um olhar profundo.
:)

Janita disse...

Talvez tenham sido as palavras soltas ao vento
que encontraram alento
resistente ao pranto,
e fizeram o olhar dela ficar
da cor do mar.

Com a romãzeira desnudada
apenas se ouvem soluços
e a fertilidade
ficou adiada.

Perdoe a divagação, inspirada pela beleza da sua fértil imaginação.

Um beijo!

Majo disse...

~
~ ~ Como o relógio,
~ ~ resistamos,
~ ~ num tempo antiquíssimo
~ ~ de soluços e de pranto.
~ ~ ~ ~ ~

Graça Pires disse...

O mar a crescer no olhar, mesmo que seja preciso cravar as unhas na escarpa mais alta...
Um beijo, amigo.

Justine disse...

Neste tempo de incertezas, de crimes impunes e aproveitamentos ilícitos, valha-nos a poesia e a lucidez...

Rogerio G. V. Pereira disse...

Bagos avermelhados
Desnudados
Num hino à resistência

Belo o aroma que exalam

Pata Negra disse...

desnuda-se? nuda-se!...
Um abraço se não entre versos, pelo menos entre palavras

Lídia Borges disse...


A fecundidade da palavra em solos agrestes... Mar de poesia!

Um beijo

Ana Tapadas disse...

Em tempos de ira...palavras de mel.

Bj

Graça Sampaio disse...

Apre! Não é fácil a sua poesia, mas bela, bela... e sempre com o mar(azul) a beijar-nos a imaginação e a dor.

Lilá(s) disse...

Intrigante e belo!
bjs

jrd disse...

Algo de misteriosamente belo e sublime.

Abraço meu irmão

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde, palavras ao vento pelo cimo das ondas do mar, são palavras acertadas.
AG

Cadinho RoCo disse...

O desnudar é ato que nos leva à intimidade do que há de sincero em nós mesmos.
Cadinho RoCo

Laura Santos disse...

Este tempo de alaúdes confunde-se com soluços e pranto.
E até os mais belos olhos se tornam vítreos.
xx

JANE GATTI disse...

O universo, em um olhar, resiste ao tempo e ao pranto. Felizmente ainda há a esperança da romãzeira. Abraços.

Arco-Íris de Frida disse...

A romazeira é o que salva...

Suzete Brainer disse...

Os olhos repletos de mar

carregam um pouco

a infinitude das palavras...

Bjs.

vendedor de ilusão disse...

Magníficos e admiráveis versos; gostei muito, além do que, até onde pude ler, as tuas criações causaram-me deslumbre...

heretico disse...

um absoluto Mar Arável - nesse olhar!

abraço fraterno.

Anna disse...

Cresce o mar da poesia aos pés da romãzeira desnuda... para morrer em mansa onda dentro dos olhos que a esperam...

Beijo, Eufrázio.

Silenciosamente ouvindo... disse...

Como sempre sublime!!!
Um abraço
Irene Alves

Vieira Calado disse...

Belo!

Um abraço!

Agostinho disse...

na esperança resiste
apesar de lapidada
nas escarpas negras
rompe amarras ao destino
A romãzeira vai-se revelando.

EU disse...

Nos olhos vê-se o mar de sonhos... Um dia chegará, ultrapassando qualquer barreira. Quero crer!
Talvez não seja por acaso que escolheste esta imagem.
Bjo, Mar :)

manuela baptista disse...

é um tempo de agora também

Cristina Cebola disse...

Esse mar, onde lhe navegam os versos, será o mar que eu conheço?
A romãzeira voltará a florir!!

Belo demais Poeta!!!

Teresa Almeida disse...

Da safra das palavras brotaram lóculos em chamas.
Beijo.

Ailime disse...

Tão belo o poema como o olhar!
Bjs
Ailime