segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A NOSSA ROMÃ ( 8 )



 

 
 
 Com um dedo escrevi palavras nos teus lábios e tu disseste que melhor seria falar por gestos. Foi assim que decidimos navegar abolir todos os destinos agitar as águas.
Gáveas ao alto âncoras levantadas vigílias abertas sem vírgulas - aqui neste chão de claridades - recomeçaram os sons de Tchaikovsky e as sombras vivas dançaram na luz vertebrada dos pavios para os objectos mais íntimos se projectarem nas paredes do cais.
Desiguais pensávamos nos apeadeiros. Reconhecíamos que a gravidade das luas não é homogénea muito menos os seus impactos quando relampejam nos nossos olhos às mãos cheias.
No mais claro das noites trazias mares no regaço. Difícil foi deixar nas ameias o perfume das algas o marulhar das marés.
Na verdade bastava um toque à flor da pele atear um fósforo só para te ver infinitamente grande ventre de grânulos vermelhos a respirar por guelras em todos os mastros - como se fossemos de novo crianças a rasgar caminhos e as flores pintadas à mão renascessem nesta desordem de cores nos jardins.
 
 
 

27 comentários:

jrd disse...

Quando o Surrealismo se beija com as mãos e se escreve com os lábios.
Excelente meu caro Poeta.

Laura Santos disse...

Um texto estrondosamente maravilhoso!
Onde se aprende a escrever assim?!...:-)
xx

JP disse...

Falar por gestos ou...falar nada. Na verdade bastava um toque à flor da pele....


Abraço

Lídia Borges disse...


A linguagem pela linguagem...
E a surpresa luminosa do não dito.


Um beijo

OUTONO disse...

...uma beleza, que se descodifica numa leitura apelo!
Abraço!

Pérola disse...

Uma desordem bela e muito ordenada.

Beijinhos primaveris

tulipa disse...

Há tempos que não comento aqui...

peço desculpa

pela minha ausência

espero regressar em breve!

Lindo!
Bjs

http://pensamentosimagens.blogspot.pt/

Maria Eu disse...

Tecer hinos à magia dos gestos com a força das palavras!
Lindíssimo texto!

Beijinhos Marianos! :)

Sónia M. disse...

Pensei em não comentar.
E deixar-me ficar, pelo gesto demorado dos olhos, em cada palavra.

Tanta beleza neste texto!
Beijo

www.amsk.org.br disse...

Gostava de pintar flores. Margaridas do campo.

bj grande

Anónimo disse...

Difícil foi deixar nas ameias o perfume das algas o marulhar das marés.

Onde os gestos não chegam, entra a maestria do poeta.Digo isso totalmente rendida a sua poesia.É belíssima.Obrigada por isso.

deep disse...

Belo. :)

Bom resto de semana

quem és, que fazes aqui? disse...


Sem dúvida, a romã mais linda que já vi/li...

Beijinho

ana disse...

Muito bonita esta história em 8 cantos.:))

Janita disse...

Tarefa espinhosa comentar tão bela romã! Quase tão difícil como abandonar o suave ruído das marés e o perfume das algas que nos traz a maresia.
Sem atear mais esta fogueira, fico-me pelo toque à flor-da-pele e o desejo de voltar a ser criança colorindo as margaridas, sem me importar com a desordem das cores...
Parabéns Poeta, bafejado pelos Deuses!

Um grande abraço.

GL disse...

Saborear, quero apenas saborear!

Maria Luisa Adães disse...

E a beleza das palavras
se aproxima sempre e cada vez mais, do
Todo Universal!

Belo!

Maria Luísa (os7degraus)

Laura Ferreira disse...

que bela prosa...

Agulheta disse...

Belas são as palavras ditas,que só com sabor a romã se saboreiam.
Beijinho

Olinda Melo disse...


...ventre de grânulos vermelhos a respirar por guelras em todos os mastros...

Romã atrevida e mágica! Onde já se viu? E aqui me quedo pensativa...

Abraço

Olinda

heretico disse...



... sons de Tchaikovsky levantando as marés.

belíssimo, Poeta.

abraço fraterno

© Piedade Araújo Sol disse...

falar por gestos, ou apenas por olhares, para poder saborear melhor os sons de Tchaikosky e as cores....

belo texto!

:)

teresa dias disse...

Está cada vez mais sumarenta esta romã.
Lindo!

Cristina Cebola disse...

Mais uma romã para contemplar...sentir e deixarmo-nos deslumbrar...
Simplesmente maravilhoso...:)

Ailime disse...

Belíssimo texto poético!E é urgente ordenar e colorir os jardins. Bj. Ailime

marlene edir severino disse...

"No mais claro das noites trazias mares no regaço. Difícil foi deixar nas ameias o perfume das algas o marulhar das marés."

Desapego é para os fortes, poeta!

Abraço carinhoso!

Suzete Brainer disse...

Simplesmente sublime!!

Neste mar de metáforas,a

beleza irradiante

transcende aos olhos...

A imagem escolhida então...