domingo, 14 de julho de 2013

CANSADA DE SER PONTE




 
Por sobre um rio
muito aquém dos mares
cansada de pátrias amovíveis
projectas sombras
de todas as cores
 
no chão corrente das águas
despertas o voo mínimo
dos pássaros
e à vista das margens
adormeces em arco
 
cansada de ser ponte
 
 


28 comentários:

quem és, que fazes aqui? disse...


"cansada de ser ponte" também!

Beijo

Laura

Brígida Luz disse...

Na limpidez das águas
um poema feito de entendimentos.

Muito belo!

Boa semana, EF :)

Rogério Pereira disse...

Poeta,
A ponte entre nós está desperta...

Anna disse...

Muito, muito belo...
Um abraço, Eufrázio.

jrd disse...

Cansada de ser ponte fecha o círculo e repousa no chão das águas.
Abraço

:.tossan© disse...

Ninguém gosta de ser pisado.

Jorge disse...

Uma ponte é sempre um elo de ligação indispensável...
Abr
J

Maria João Brito de Sousa disse...

Solidária com o cansaço da Ponte, deixo a minha vénia a este seu quase queixume.

Rosa dos Ventos disse...

Não é fácil unir margens!
Quanto ao rio da nossa aldeia também gosto dele...o objectivo foi apenas recordar le 14 juillet! .-))

Abraço

luna luna disse...

as pontes também servem para unir, para afastar, mas a ponte também se cansa
bjs

Tétisq disse...

sempre transição...nunca se pode dar ao luxo de viver a liberdade de escolher um dos lados, há sempre algo que a obriga a fincar os pés em dois lados contrários de forma a uni-los...isso deve cansar, muito!

GL disse...

Ás pontes cabe cumprir o seu destino: unir aquilo que o tempo tinha interrompido.

Beijinho

Sopro Vida Sem Margens disse...

a água corre acima do mais ténue e aguado rio. Do luzir da ponte o interior da boca cruza-se entre o costado de cem luas amovíveis. Sem luas que sonham. Sem nome. Sem nada. Hoje, sobre as asas silenciaram-se as coisas. Estoutras que aqui também sonham amovívelmente por uma carícia Chega o Verão e. das aves somente esta satisfação, já só, detentora das dores azuis. , De mim apenas esta certeza murmurando baixinho todas as cores dum mar arável.

*Escritora de Artes* disse...

Fato...

Abçs

Parole disse...

Eu gosto delas, mas deve ser tedioso não ter escolhas.

Beijo.

Jane Gatti disse...

As palavras completam a beleza da imagem. Com a mesma intensidade. Abraços.

Mel de Carvalho disse...

é mesmo, Eufrázio: ser ponte cansa. especialmente quando se olha e se vê o lodo (interminável) das águas...

a sua poesia, essa, é sempre límpida, caro amigo

abraço e boas férias, se for o caso
Mel

Mary Brown disse...

As pontes são essenciais para o equilíbrio. Cansam-se e restauram-se mas nunca deixam de ser pontes.
Beijinhos

lis disse...

Somos 'pontes _ e seu poema comprova esse elo entre nós_ homens e pássaros.
mesmo cansados cumprimos o destino.
Gosto muito também da arte de Monet,
obrigada por projetar sombras cores e voos,
um abraço

Maria Emilia Moreira disse...

As pontes são elos de ligação imprescindíveis...mas nós(humanos) por vezes funcionamos como pontes e há momentos em que estamos fartos de o ser. Belo poema!
Abraços.

Silenciosamente ouvindo... disse...

Também estou muito cansada de
ser ponte...
Bj.
Irene Alves

© Piedade Araújo Sol disse...

cansada pode estar
mas a ponte é necessária...

sempre!

um beijo Poeta!

:)

elvira carvalho disse...

O que seria do mundo sem pontes?
Um abraço

Genny Xavier disse...

Como diz os versos de outro poeta:
”Pobres pontes!
penteiam os cabelos dos rios na seca
sem beijar a pele das águas longínquas
apenas sendo amantes das margens.”

É isso, Eufrázio, quisera a ponte
num sono onírico
pudesse amover seu cansaço
e beijar a pele das águas longínquas...
Beijo,
Genny

teresa dias disse...

Lindo!
Abraço.

São disse...

Antes o cansaço que o tédio...

Fica bem

MJ FALCÃO disse...

Muito bonito, com uma bela ilustração!
"e à vista das margens
adormeces em arco

cansada de ser ponte"...

Canto da Boca disse...

Talvez o cansaço da ponte seja o mote do voo do pássaro...