segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

ETERNO POR UM INSTANTE


                                                                
                                                            Publicado no "Que fizeste das nossas flores"
                                           


Neste porto desobrigado de fronteiras
e outros céus
vem à tona a energia imperecível
dos desertos
o perfil escarpado da luz
fragmentos de círculo

Nesta apoteose de neblinas
defino a brancura do teu corpo
de pátria movediça
como um prado onde refulgem
transfigurações de barcos
rumores de outros mares

Amo esta janela com vista para o vento
onde é possível ser eterno
por um instante
povoar o silêncio errante das metáforas
e viver apaixonado
no pulmão das marés


 

26 comentários:

Anónimo disse...

Não Temos Mais Decerto que o Instante

Atrás não torna, nem, como Orfeu, volve
Sua face, Saturno.
Sua severa fronte reconhece
Só o lugar do futuro.
Não temos mais decerto que o instante
Em que o pensamos certo.
Não o pensemos, pois, mas o façamos
Certo sem pensamento.

Ricardo Reis

Um abraço
Maria José Batista

Rogério Pereira disse...

Quando teu desapego por essa janela?
É a partir da porta que fica a rua
e tudo o resto
Desapaixona-te
Esperam-nos as ondas e o grito das metáforas

(hei-de ler o "Que fizeste das nossas flores")

Jane Gatti disse...

A janela com vista para o vento é a metáfora que cabe muito bem à obra de Magritte. Ir além do óbvio, transpassar a maré, singrar o sonho... Boa semana.

lis disse...

'Outros mares outros rumores' e um bocado de janelas...
_poetas paisagistas sempre encontram os tons certos para cada poema,
e enamorar-se para viver este 'instante de eternidade'_ deu vontade rs
abraço

hfm disse...

Das metáforas e da poesis.

maceta disse...

por essa janela os poetas largam-se com as liberdades...

abraço

Leonardo B. disse...


[breve, por onde?

por onde passa a eternidade?]

um abraço,

Lb

lino disse...

Valham-nos as janelas que ainda têm alguma vista!
Abraço

marlene edir severino disse...

E não temos mais que
o instante

Este!

...É tudo!

Abraço, Poeta!

ana disse...

Melancolicamente bonito!
Beijinho. :)

heretico disse...

pastoreando metáforas no dorso da marés...

que melhor melhor sublimaçao para as neblinas em apoteose?

abraço, Poeta.

um privilegio tua Poesia, meu amigo.

elvira carvalho disse...

Gostei.
Um abraço e desculpe se comento menos. Estou com problemas nos olhos, em tratamento, e por isso como estou proibida de passar muito tempo no pc, por vezes visito, leio, mas não comento. Para poder visitar mais amigos e ler mais artigos.

Isabel disse...

Com o mar por perto!

Maria João Brito de Sousa disse...

Gostei imenso deste poema com uma "janela com vista para o vento"... mas sou muito má nos comentários, sobretudo quando me doem os dentes... e é o caso, Mar Arável...

Deixo o meu abraço!

Sónia M. disse...

" e viver apaixonado
no pulmão das marés"

Muito belo!

Beijo
Sónia

Maria João disse...


É sempre a paixão que nos move entre mares e marés, e uma janela é sempre um bom lugar para respirar.

Um abraço

Lídia Borges disse...


Fico nesta janela a colher instantes que as metáforas eternizam.

Um beijo

carlos pereira disse...

Num barco feito de metáforas o amor e o sonho acontecem.
Gostei poeta.
Abraço.

Rita Freitas disse...

Viver apaixonado, um privilégio...

Bjinhos

tb disse...

Há instantes que podem ser eternos.
Abraço de marés.

Anónimo disse...

Companheiro, esta é uma visita rápida, serve apenas para
apresentar e divulgar “o blog
2013 – Centenário de Álvaro Cunhal "
Esperamos visitas de retribuição e colaboração.
Os autores

:.tossan® disse...

Lindo demais! Obrigado pela beleza! Abraço

Sonhadora (RosaMaria) disse...

Poeta

Há instantes que valem uma vida e há janelas que são uma porta para a liberdade.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

Graça Sampaio disse...

Ai que o "nosso" Mar Arável está apaixonado... Belas imagens, como sempre!

jrd disse...

Instantes há que, de tão belos, duram uma vida.

Canto da Boca disse...

Podemos abrir tantas janelas e eternizar os momentos...