sexta-feira, 18 de maio de 2012

NEM FLORES NEM DESTINOS




Estávamos no fresco trinado da Primavera
quando uma ave desconhecida
subiu mais alto
que o mastro das bandeiras

e logo hoje choveu
uma lágrima dos teus olhos

Estávamos no trinado da Primavera
o vento quase não se movia
mas nós carregávamos
a serra às costas
por esses mares desnavegados
a decifrar azuis
e outros destinos

Nós sabíamos que não existem destinos
e as flores não se oferecem
conquistam-se a partir do chão
até as pétalas se desfolharem

Só não sabíamos
porque choveu uma lágrima
dos teus olhos


39 comentários:

mariam disse...

Tão bom voltar aqui! Um rio de
palavras... um sereno vento que nos leva...

... a lágrima, veio do eterno mistério que cabe em todas as mulheres...

Beijinhos :)
mariam

anamar disse...

Li-te em voz alta.
Vou dormir mais tranquila depois de me ouvir através das tuas palavras.
Beijo meu

elvira carvalho disse...

Às vezes é preciso que chovam lágrimas Para aliviar o coração
Um abraço

Rogério Pereira disse...

Depois de nos dizeres
poeta, que temos tantos saberes

Que não se perca tal lágrima
por ignorância nossa

(foi belo de ler)

trepadeira disse...

Só as aves que sobem mais alto do que as bandeiras nos podem indicar o caminho.

Um abraço,
mário

Rúbida Rosa disse...

Decifrar o azul é tudo que queremos...Enquanto não encontramos a resposta, vivemos.

Abraços poéticos.

jrd disse...

Chove uma lágrima dos olhos porque (ainda) demora tanto a conquistar a flor prometida.

Abraço poeta

Maria Campos disse...

De emoção, sem dúvida. E é tão bom chorar de emoção...

BFS, Mar Arável.

marlene edir severino disse...

As lágrimas descem
inundam o rosto, assim,
sem avisar

Abraço daqui!

lino disse...

Temos de reconquistar os cravos a partir do chão!
Abraço

ana disse...

Mar Arável,
Quanta beleza nestas flores que crescem do chão e se juntam à lágrima perdida.
Parabéns!
Houve uma mutação na sua escrita muito interessante!
Beijinho.

Flor de Jasmim disse...

Talvez as lágrimas teimem em cair ao ver continuadamente os campos floridos a serem destruidos.
Bom fim de semana Eufrázio

Beijinho e uma flor

Isabel disse...

Muito bonito.
A pintura escolhida é também muito linda.
Bom fim-de-semana

Graça Sampaio disse...

«Nós sabíamos que não existem destinos
e as flores não se oferecem
conquistam-se a partir do chão
até as pétalas se desfolharem.»

Muito lindo. Muito forte!

Parabéns pelas suas palavras. Pela sua força!

BRANCAMAR disse...

Belíssimo como sempre, querido amigo e poeta.
Já tinha saudades de vir aqui e embora esteja a escrever longe de casa e com alguma dificuldade, por motivo de saúde de familiar, saboreei com sofreguidão este poema, palavra por palavra, porque boa poesia desta não se encontra todos os dias.

Agora vou ler o que perdi por estes dias.

Beijos

vieira calado disse...

Entre outras passagens muito interessantes, destaco:

as flores não se oferecem
conquistam-se a partir do chão


Um forte abraço

R. disse...

Há que secar as lágrimas e persistir na busca e na conquista das flores, para que a Primavera não esmoreça.

Um abraço.

Anónimo disse...

"no trinado da Primavera"
o peso da "serra às costas"
que os Homens impõem,
cada vez mais
consegue superar
a serenidade e os prazeres
que a Natureza nos oferece.

Talvez
pela cada vez maior dificuldade
na "conquista" de cada flor
"choveu uma lágrima"
naquele momento
Talvez
por solidariedade!...

Saudades

princesa

VÉU DE MAYA disse...

Vim ler o poema. Belo.

abraço,

Véu de Maya

Lídia Borges disse...

Há muito de terra nessa lágrima vertida da inocência do olhar.


Um beijo

Sara disse...

Nem tudo são flores, nem tudo são lágrimas...
Lindíssimo, Eufrázio.
Um abraço e bom domingo.

manuela baptista disse...

logo hoje choveu

azuis


um abraço

Virgínia do Carmo disse...

Há lágrimas assim, também elas sem origem ou destino.

Um abraço, Eufrázio.

heretico disse...

sabe-se lá quando explode uma flor numa lagrima feminina...

belíssimo, Poeta.

forte abraço

MAR disse...

Al final...la´mas bella de las Primaveras es la que hace florecer el corazón.
Mis abrazos para ti.
mar

Justine disse...

Há quem ande a preverter-nos a primavera!Mas as flores são mais fortes que as lágrimas...

Nilson Barcelli disse...

Nem todas as lágrimas são de imediato decifráveis...
Magnífico poema, como é hábito, de resto.
Abraço.

carla disse...

Um lindo poema !

uma boa semana,beijo

carla granja

http://paixoeseencantos.blogs.sapo.pt/

Sandra Subtil disse...

O Eufrázio tem um dom maravilhoso! Sinto-me privilegiada por poder usufruir dele e emocionar-me tanto ao lê-lo.
Também choveu uma lágrima de mim.
Obrigada

Maré Viva disse...

É realmente um belo poema, onde os extremos se tocam e as palavras nos tocam!
Mesmo no auge da primavera as flores se desfolham e as lágrimas abrem seus trilhos.

Um abraço.

:.tossan® disse...

Poema lindo demais! Sabedoria poética!

O Saber das Palavras disse...

Um poema lindo...
Obrigada por o partilhar.

Sônia Brandão disse...

As flores não se oferecem, mas as lágrimas sim.

bj

OutrosEncantos disse...

- porque choveu uma lágrima dos teus olhos?!!

- porque Deus adormeceu?!!!...

beijo.

© Maria Manuel Rocha disse...

os teus belos poemas ondulados de maresia...

Mas, caro Mar Arável, gostava de agradecer as sempre gentis partilhas de poemas, tão belos e intensos.
E gostava de agradecer a todos os que, durante estes anos (quase a fazer 4) me visitaram, leram, gostaram ou não, comentaram, deixando palavras de apreço, bastante estimulantes para mim.
Mas, nesta fase da vida, sinto indisponibilidade várias não me permitem repartir-me por várias tarefas. E não tenho conseguido ler, visitar-vos nos vossas espaços da palavra (que saudade de vos ler!)
de vez em quando,.
Não digo «adeus», até porque de vez em quando ainda venho aqui, deixar um “post”, mas com muito menos assiduidade.
Então, digo “até já! E deixo um abraço poético,
Maria Manuel

intimidades disse...

lindo

Bjinhos
Paula

OceanoAzul.Sonhos disse...

Dos olhos também chovem lágrimas de alegria e conforto, quando se ouvem pássaros ou se sentem palavras.
As que escreve, são muito bonitas.

abraço
cecilia

Donagata disse...

Lágrimas que chovem e regam destinos...
Gosto de o ler.

Hanaé Pais disse...

Carregar a serra às costas para chegar ao cume da montanha.
No alto com uma vista plena desfolhar as pétalas devagar, devagarinho, ao sabor do vento e do seu lamento.
Os olhos choram por dor, por angustia, por vunerabilidade, por tristeza e por ter um mar desnavegado.

Este seu poema é muito triste, nem consegui sentir o amor das suas palavras.