sábado, 10 de dezembro de 2011

CAMINHO SEM MARGENS







Pelas fissuras de acesso à casa
os pássaros escarpados
recusam suicidar-se
por um grão de areia

têm por hábito beijar as pedras
quando a noite se deita
no brilho dos cristais

mesmo de olhos fechados
e luas novas

Aqui às mãos cheias
o mar revolto
bebe a água das fontes

mesmo que se desmoronem as arestas
onde emerge apócrifo
passo a passo
em desassossego
este caminho sem margens


34 comentários:

VÉU DE MAYA disse...

um abraço, Poeta.

Véu de Maya

Anónimo disse...

"Do rio que tudo arrasta,
diz-se que é violento.
Mas ninguém chama violentas
às margens que o comprimem."
Bertold Brecht

E assim é que a poesia nos toca,
mexe,
remexe
e inventa pontes para outras palavras,
gestos
e tempos.

Um caminho sem margens
e em desassossego
é por onde se passeiam

de mão dada

o sonho e a liberdade.

M.

CNS disse...

Sem margens nem limites.

R. disse...

A segurança das margens pode também ser delimitativa. Talvez que a sua abolição abra novas perspectivas.

Um abraço e um bom fim-de-semana.

trepadeira disse...

Gosto dos caminhos novos sem margens.

Um abraço,
mário

A. disse...

Passos de outros passos!... iguais a tantos outros repetidos por cada momento que se faz momento de outros momentos... repetidos no movimento e no desgaste, na erosão da frieza e de momentos mais duros!... Como aqueles que, quase sempre nos desgastam e se repetem, entre a observação melancólica dos elementos entregues à Liberdade natural!... Bebemos dessa fonte que que não é alimento do corpo, mas apenas da Alma e... de um olhar momentaneamente absorto longe das margens muito para lá do horizonte!...



Bom fim de semana




Abraço

mfc disse...

Pássaros, mar e escarpas...
Um cenário perfeito para o meu recolhimento!

jrd disse...

Sem margens (violentas) que o estreitem.

Abraço

© Piedade Araújo Sol disse...

desse caminho sem margens, onde o limite são as areias que se movem e se espalham na inspiração do Poeta.

mais um belíssimo trabalho.

gostei da foto.

um bom fim de semana!

beij

ana disse...

O barulho do mar em desassossego, sem margens porque as vence, talvez traga um novo tesouro, quem sabe?

G... disse...

!!!
Porque as palavras estão todas no poema. Em perfeita sintonia.
Beijinhos

Sofá Amarelo disse...

O caminho sem margens não é mais que a água das fontes onde a noite se deita por entre as arestas de cristais...

www.amsk.org.br disse...

e que Dhiel nos ajude a entender os apócrifos ou pelo ao menos vivê-los, passo a passo, neste caminho que em uma noite de lua nova, espero encontrar a margem.

bjs nossos e meus

Canto da Boca disse...

(é como se na quase impossibilidade do caminho, se vislumbrasse uma picada)

Maria João disse...

Que se contruam as margens, para que os pássaros saibam a origem dos rios que alimentam as fontes, e nenhum morra de sede dentro da revolta do mar.

Um abraço, Eufrázio

© Maria Manuel disse...

há as arestas desmoronadas onde os pássaros recusam a morte.
e há as arestas desmoronadas que permitem novos caminhos.

gostei muito do poema.
um abraço grande.

Sara disse...

A ausência de margens pode desassossegar, é um facto. Mas margens em excesso podem aprisionar.

Um abraço e bom domingo.

carol disse...

Imagens belas mas de difícil acesso. Mar muito revolto.

Mas muito bonito.
Bom domingo

lino disse...

Mas o nosso caminho está apertado entre paredes de teimosia. Temos de conseguir ser pássaros!
Abraço

Justine disse...

Belo, o caminho das palavras!

www.amsk.org.br disse...

Falamos de você e desse mar imenso pra nossa maylê e ela nos pediu que escrevesse algo pra vc.
http://cozinhadosvurdons.blogspot.com/2011/12/coisas-da-rainha.html

um bjs nosso

Fernanda disse...

Que lindo... doce e belo pensamento poético.

O mar, sempre ele!
As margens que ora aprisionam ora aconchegam...

Beijinhos

Lena disse...

Belas palavras ditas neste caminho sem margens...
gostei..

Bjosp

Marta disse...

Será bom sinal não ter as margens para nos guiar...

carlos pereira disse...

Meu caro Poeta;
Que os caminhos sem margens nunca permitam delimitar os horizontes.
Abraço.

tb disse...

Quando o poeta sonha as margens desvanecem-se e a liberdade é pássaro que voa.

Sônia Brandão disse...

Os pássaros sobrevivem.

bj

BlueShell disse...

Mas são passos que não nos deixam "aquem"!
BJ

Irene Alves disse...

Temos que tentar através da
poesia alertar...alertar SEMPRE
para este "aparente semi-adormecismo."
Um bj.
Irene

Parole disse...

Os pássaros sabem das coisas...

Como sempre poético e belo.

manuela baptista disse...

um caminho sem margens
é uma planície maior


desassossegadamente serão os poetas a separar o sal da água doce

um abraço

manuela

Agulheta disse...

O mar que nos abraça em suas margens e escarpas se fazem belos poemas.
Abraço e agradeço a visita ao blog,já adicionei.

BRANCAMAR disse...

Um desassossegado e belo momento, sem margens para caminhos limitados...

Beijos
Barnca

OUTONO disse...

...um mar profundo, com croiatividade à superfície...