quarta-feira, 14 de abril de 2010

BEIJO O TEU RETRATO





Nunca vivemos mares deshabitados

nem hoje quando passo
só para te ver
resgatar aromas
à nossa flor preferida

nem hoje quando nos olhamos
como se fossemos um rio
no chão de uma ponte
e o chão da ponte fosse um espelho
de águas interditas
onde ainda não se pode passar

Quando os barcos se fizeram à claridade
entraram pelo corpo a cantar
ao som de um relógio de pêndulo

talvez por isso

nas paredes da casa

beijo o teu retrato





42 comentários:

Sonhadora disse...

Lindo poema, muito profundo...adorei.

Beijinhos
Sonhadora

Maria disse...

Que maravilha!!!

Beijo.

jrd disse...

Belíssimo.
Um poema de beijos e de cravos.
Um abraço

hfm disse...

Sempre a beleza da poética e a cadência.

Delirius disse...

:)) Beijar a Liberdade, que retrato mais lindo, o que esse poema contém!
Beijo na alma de ti.

Justine disse...

Saudades de ver esse poster nas paredes da cidade, nas montras das livrarias, nas casas dos amigos...

lino disse...

Lindo conjunto.
Abraço

A.S. disse...

O olhar do menino
feito esperança,
a vitalidade do cravo
onde ainda pulsava
a seiva
da liberdade.

Pudesse eu beijar
com o mesmo vigor
aquele cravo
agora seco... incolor!


Abraços!
AL

Maria Valadas disse...

O simbolo da liberdade
que permanece vivo na nossa memória.

Não vamos deixar que nos "acorretem" novamente.

Beijos

MARIA disse...

Certamente o próprio Abril se sentiu beijado por tão belo poema.

Parabéns, é linda a sua poesia, a sua escrita.

Véu de Maya disse...

Gostei deste relógio de pêndulo...
perfeita a hora e as cores.belo,

abraço,

Véu de Maya

isabel mendes ferreira disse...

beijo estas palavras!

Graça Pires disse...

Um poema a cheirar a cravos e a sonhos.
Um beijo.

Lídia Borges disse...

"Quando os barcos se fizeram à claridade
entraram pelo corpo a cantar
ao som de um relógio de pêndulo."

Sublime!


Um beijo

Ana Lucia Franco disse...

Eufrázio, sente-se a nostalgia deste poema. E os versos estão dispostos parecendo o movimento dos barcos que "entraram pelo corpo a cantar". Pode ser só impressão minha..

abrs!

nuance disse...

..., então eu sou uma flor!
Mas o Eufrázio não é uma flor..., é uma nuance azul :)

Abril!!!

Obrigada pelas visitas!

Brancamar disse...

Belíssimo o teu poema, pleno de profundos significados para a liberdade ou falta dela, pleno de uma vivência conjunta, para sempre inesquecível, mesmo que ainda não se possa passar em algumas águas subtilmente interditas...

Beijo Abril e tudo o que ele significa. é preciso fazê-lo renascer todos os dias.

Beijinhos
Branca

anamar disse...

Beija
até que a alma te doa...
O retrato do que se ama não se cansa de ser beijado...
Beijo

legivel disse...

Um belo poema, este. De homenagem e contra a memória curta.

há amores
que jamais fenecem
flores
que nunca se esquecem.

Abraço.

mdsol disse...

Não sei comentar. Só sei dizer que gosto muito.

:))

Maria João disse...

E afortunados são, os que conservam os retratos, para que possam sempre beijar as memórias daquilo que realmente vale a pena.

É com enorme prazer que sou sua leitora. Atenta aprendiz, fico-lhe sempre grata!

Um abraço

Virgínia do Carmo disse...

Porque há retratos que se entranham alma adentro...

Bjos

arabica disse...

Sempre.


Embora, de tantos, ausente.

Um abraço. Grande.

Licínia Quitério disse...

Beijaremos o retrato. A flor repousa sobre as águas do rio que libertámos. Só espera acontecer...

Um beijo de Abril, Poeta.

pin gente disse...

a flor que embeleza o espelho das águas abrindo o seu caminho interdito.


um abraço
luísa

Clarice disse...

Em tudo um pouco da essência de alguém. Muito bonito.
Abraços.

heretico disse...

fecundo teu olhar sobre a Hora presente. e sobre o rosto da memória, em cântico de Futuro...

belíssimo.

abraço, meu caro Poeta.

tulipa disse...

Muito obrigado pela partilha de tão belas palavras.

ABRIL

O MEU MÊS

19-Abril - nascia uma menina, hoje Mulher, Avó...mas essa menina anda muito triste, com muitos picos na alma - tal como diz o poema "Lamento" que fiz ontem, num momento de muita solidão e tristeza - ver no blog "Deabrilemdiante".

19-Abril quero sempre a minha flor - Tulipas, é precisamente a época delas e já vi um raminho pequenino muito querido que vou oferecer a mim mesma.

Beijos, poesia e flores.

Maria P. disse...

Fantástico.

beijinho*

Chris disse...

As imagens que permanecem na força das palavras...
Um abraço
Chris

maré disse...

ainda as marés acordavam madrugadas
e os barcos se perfilavam sob as bocas a resgatar palavras, já eu te sentia um canto.
talvez ainda hoje
te sinta mar à espera de ser lavrado.

que belo canto Eufrázio!

beijos

Ale_gria disse...

Parabéns pelo texto,
palavras que tocam a alma

Boa semana
beijo

quicas disse...

Beijo o teu retrato! E, finalmente, os mares se abriram e os ventos contaram, VERDADEIRAMENTE, novas do meu país!

ABRIL, SEMPRE!

Parabéns e obrigado pelas suas visitas. Abraço

maria manuel disse...

belíssimas imagens! resgatar o aroma de uma flor, como se fossem rio, essa claridade a tocar os corpos e a memória num retrato que se beija. lindo!

abraço.

poetaeusou . . . disse...

*
abril povo
desejo esperado
de um novo renascimento
grito aguardado
a todo o momento
nas asas do vento

,
saudações,
,
*

oasis dossonhos disse...

http://aguasdosul.blogspot.com/2010/04/o-desastre.html

Um grande abraço. 25 de Abril Sempre!

Lena disse...

Lindo poema,
deixo te um beijo nesse cravo,
cravo da liberdade e da esperança..

Delirius disse...

Sou amante do mar, sou sim :)))
Obrigada pelo carinho!

E de novo aqui e tal como a Lena, deixo um beijo nesse cravo, mas o meu é apenas de esperança, porque liberdade, meu amigo querido, não te zangues, mas eu não percebi ainda muito bem o que é, ao fim de todos estes anos...

E deixo outro para ti, de noite feliz.:)))))

JPD disse...

25 de Abril de 1974 será inesquecível.

Viva!

Um abraço

São disse...

Tocou-me fundo. amigo, este teu poema.

Abraços.

tb disse...

pena que só se vá beijando a moldura...cada vez mais de moldura e menos de gente.
:) beijo

AnaMar (pseudónimo) disse...

Lindo. Emocionante.

Palavras que me tocam. Fundo.

Num desabar de flores e amores qua são para sempre.


Um beijo