quarta-feira, 17 de outubro de 2007

LUZ










Coado o silencio



neste marulhar de azuis



e outros destinos



liquefaz-se em rumores



a perfeição irregular das falésias





rebentam neste chão de timbres



novas sementes



que submersas se transformam



em novas apoteoses



de coisas simples





É neste leito onde me dispo



que oiço claramente



indícios de palavras incendiadas




que o tempo não apaga





É neste ciclo de marés



que rasgo o oculto coração



das pedras



só para te ver



luz


22 comentários:

Bichodeconta disse...

que beleza nesta poesia .parabéns.um abraço.

josé manangão disse...

Grande momento de inspiração!!!!
Um abraço josé Manangão

samuel disse...

É na "apoteose das coisas simples" que se encontra a força para enfrentar a arrogância dos poderosos, o constante desamor dos pretensiosos, o ostensivo proveito dos injustos.
Não será muito poético mas foi o que saíu...
Ah, e belo "post"!

Maria disse...

"rasgar o oculto coração das pedras só para te ver, luz".....

Excelente!

Um abraço

vida de vidro disse...

As coisas simples revelam-se e ajudam-nos a encontrar essa luz que tanto procuramos. **

un dress disse...

é nesse chão

seco

de gestos

que

as palavras

às vezes

me salvam

de mim


...


beijO

Anónimo disse...

LUZ!






cega.







iluminante.


______________________.

/piano.

Sol da meia noite disse...

Aqui cheguei e gostei da profundidade desta poesia...

Tal como eu, também aqui dizes que o tempo não apaga palavras...
Talvez as guarde.

Beijinho!

pin gente disse...

sorte a da luz!

Mel de Carvalho disse...

Na "arabilidade" deste mar, onde as palavras fazem a diferença, vim encontrar a paz de um final de dia.
Belíssimo o que por aqui se escreve.

Um abraço
Mel de Carvalho

Anónimo disse...

Palavras? Para quê?
Este poema está tão rico, tão belo,... que não arrisco comentá-lo.
A cadência das metáforas está simplesmente maravilhosa!
Faz-nos sentir o desejo de bailar e de ser a "luz" que possivelmente também rasgaria o seu coração oculto!....
princesa

maria josé quintela disse...

coado o silêncio, as coisas simples.
como a luz.

Mateso disse...

Luz...será que chega?
Será? Luz?
Quando?



Espero o tempo.
Bjs.

vermella disse...

Esta poesía é esperanza para atopa-la luz.
beijo e bom fim de semana.

Rui Caetano disse...

Muito bonito. Coar o silêncio e ficar com os horizontes do nosso querer tão sonoro ao nosso sentir apenas.

multiolhares disse...

que essa luz cintilante
ilumine sempre as tua palavras

beijinhos
luna

herético disse...

"rebentam neste chão de timbres
novas sementes..."

pressente-se o germinar da luz no oculto coração das pedras. como por poema por nascer em novo ciclo de marés!

abraço, Poeta!

C Valente disse...

Gostei,
saudações amigas

Vieira Calado disse...

Bonito, sonante e escorreito.
Gostei

Luís Galego disse...

rebentam neste chão de timbres



novas sementes

rebenta nesta poesia

grande sensibilidade.

aquilária disse...

leio asas de fogo, atravessando as sílabas.

Fernanda Valente disse...

Um poema muito bonito que expõe de uma forma singela toda uma sensibilidade.

Cumpts.