segunda-feira, 19 de outubro de 2020

NÃO HÁ ESPAÇO PARA CANTAR

 




Entre oliveiras buganvílias
e  latidos de cães
resiste um poço
a céu aberto
onde temos por hábito
falar baixinho
para não acordar silêncios

No fundo do poço
há um espelho vertiginoso
luz que assoma
aos nossos olhos escarpados

Quando chove a cântaros
tudo fica mais claro
a fluir
na solidão das estrelas

No fundo do poço
não há espaço para cantar
mas tu cantas


eufrázio filippe


18 comentários:

Janita disse...

E canta de olhos abertos, para admirar a paisagem.

Gosto desse lugar que o bonito poema descreve.
Um viver no campo onde a poesia floresce.

Muito bonito.

Um abraço, Poeta.

jrd disse...

Um canto liquido que nos trás o eco da poesia.

Abraço fraterno

" R y k @ r d o " disse...

Poeticamente fascinante de ler
.
Inicie a semana em Paz e Amor
Abraço

MARILENE disse...

Esse cantar nem pede espaço, de tão poético. Amei seus versos! Abraço.

© Piedade Araújo Sol disse...

que no caos
haja sempre um canto estridente
que acorde o mundo....

:)

Roselia Bezerra disse...

falar baixinho
para não acordar silêncios

Olá, Mar Arável!
Amei os versos acima que recortei. Falou alto em meu silêncio.
Gostei muito do cenário do poema, muito lindo.
Tenha dias abençoados!
Abraços fraternos de paz e bem

A Paixão da Isa disse...

que bonito bjs

Rosa dos Ventos disse...

Gostei muito!
Senti uma ressonância alentejana!

Abraço

Cidália Ferreira disse...

Poema muito bom!:))
-
Morre lentamente ...

-
Beijos, e um excelente dia de Quarta Feira!

Rogério G.V. Pereira disse...

Sim, canto
Ainda que seja triste meu canto

Teresa Almeida disse...

Mesmo no fundo do poço, é possível cantar. E o eco provoca abalos.

Beijo.

Lígia Casaca disse...

Gostei do que espreitei no fundo do poço. Até do galo cantor!

Ailime disse...

Um poço que guarda memórias e poesia, onde "não há espaço para cantar".
Belíssimo!
Um beijinho,
Ailime

Jaime Portela disse...

Quem canta no fundo do poço é porque vai sair de lá...
Magnífico poema, gostei imenso.
Bom fim de semana, caro Eufrázio.
Abraço.

AnaMar (pseudónimo) disse...

Que nunca faltem cordas vocais para o cantar. especialmente em dias de chuva. Belo este poema.

manuela baptista disse...

No fundo do poço, fico feliz por alguém cantar.

De há uns meses para cá canta um galo num qualquer quintal. É raro, o galo e o seu canto, porque a urbanidade também mata.

um abraço

Mário Margaride disse...

Um belo poema amigo Felipe! Onde os silêncios contidos...acordam com a cantar do galo. Parabéns!
Grato pela visita e comentário no meu cantinho.
Ótima terça feira!
Saudações poéticas.

Mário Margaride

AC disse...

Canta, quebrando as convenções, despertando a vida...
Bem, como sempre.

Um forte abraço, meu caro Eufrázio.