terça-feira, 14 de julho de 2020

COMO TE VEJO (2)






Na dissonância do tempo
caminhamos
sempre a desnascer

surpreendemos máscaras
que se multiplicam
coladas à flor da pele

as mesmas que os barcos
desvendam
no chão das águas
e as aves perseguem
nos mastros
conforme o dardejar do vento

Na dissonância do tempo
ainda não aprenderam
os meus olhos
a verem-te como és

tão só como te vejo


eufrázio filipe

17 comentários:

José Carlos Sant Anna disse...

Na dissonância do tempo descansa os olhos
dos vestígios ainda vívidos...
Um abraço,

Sónia M. disse...

Às vezes é tudo quanto basta...
Belo!

Beijo

Rosa dos Ventos disse...

Isso é Amor!

Abraço

Cidália Ferreira disse...

Um poema simplesmente fabuloso!!

Beijo e uma excelente noite!

José Carlos Sant Anna disse...

Leia-se descansam os olhos (acontece com as melhores famílias)

Rogério G.V. Pereira disse...

Leio
e tenho a impressão
de já ter lido

Volto a ler
e tenho a impressão
de ser a primeira
vez que leio

Na dissonância do tempo
ainda não aprenderam
os meus olhos
a ler-te como és

Micaela Santos disse...

As máscaras multiplicam-se mesmo!
Seja de pano ou de representação, interessante é ver a pessoa com os olhos de ver e a perceber!

Um abraço e continuação de uma boa semana!

Graça Pires disse...

Vês como vês e é tanto que os mastros se oferecem aos ventos para que os barcos deslizem no chão das tuas águas. Tão belo, meu Amigo!
Um beijo.

saudade disse...

Tão só como te vejo... Fantástico.
Boa semana
Beijo

jrd disse...

Desnascer para renascer. O ciclo completa-se.

Grande abraço poeta

Maria João Brito de Sousa disse...

Excelente!

Abraço, Eufrázio!

© Piedade Araújo Sol disse...

E às vezes
já e tanto

saber ver ...

bom fim de semana Poeta

:)

Genny Xavier disse...

Talvez, numa curva repentina do amanhecer, a consonância de um novo tempo nos ensine um novo olhar...

Beijo.

vieira calado disse...

É sempre assim meu caro!

Cada um vê o que sente!

Saudações poéticas!

Janita disse...

Saber ver, é olhar quem se ama
e vermo-nos renascer...

Beijos, Poeta das marés.

Ailime disse...

Ver e não olhar, simplesmente.
É tanto!
(tenho estranhado a sua ausência).
Beijinhos,
Ailime

Agostinho disse...

"sempre a desnascer" nunca te verei como és, magnífica figura.
Um poema muito bom.
Abraço.