quarta-feira, 26 de junho de 2019

AREIA POR ENTRE OS DEDOS






Descalço corri
desertos marés palavras e ventos
só para te ver
formosa duna

estavas de vigília em vão
colar de limos ao pescoço
quase vegetal nas areias

O mar já tinha invadido
os teus barcos mais restritos

a luz ardia na praia
os nossos barcos preferidos

Descalço corri
só para te ver
formosa duna

estavas a dormir silvestre
no chão das memórias
areia
tão livre de fronteiras
por entre os dedos


eufrázio filipe


13 comentários:

Impontual disse...

Enquanto o vento fustigou a duna, a poesia fez-se ao caminho.

Lua Azul disse...

São sensuais, as dunas, mas efémeras, às vezes, ou não escorregue a areia por entre os dedos... Por isso, ansiamos!
Voltei mais cedo do que o previsto! A inspiação é caprichosa!

Kodak Khrome disse...

fica ao olhar por mais um tempo
enquanto as palavras invadem a memória

analisa e guarda-as na gaveta principal
a da Poesia.

Olinda Melo disse...



Areia que se vai escoando sem deixar rasto.

Belo poema, caro Eufrázio.

Abraço

Olinda

Agostinho disse...

Por entre dedos passou a toada
do roçar de sílabas
que o Poeta colou, não sei
onde nem como,
se a coberto da noite
ou no desvão do porto.
Sei que não foi em vão
que a duna se fez
d'algas arredondada
para a boca dizer.

Abraço

Teresa Durães disse...

um amor enternecedor!

Graça Pires disse...

As dunas tão amadas pelo vento e pelas marés. As dunas que o Poeta estremece com palavras "no chão das memórias" como se fossem sonhos dispersos…
Uma boa semana, meu Amigo.
Um beijo.

Genny Xavier disse...

As dunas, levadas ao vento, deixam na memória a beleza livre e luminosa... Metáfora dos afetos...

Abraço,
Genny

Teresa Durães disse...

Acorda! Acorda, a vida não é feita dessa gente, de A a Z, acorda! A vida são árvores de fruto e as que nos dão oxigénio, água potável, insisto, água potável, não haverão animais, estão em extinção, acorda, de A a Z são todos iguais, ignoram o futuro, querem ouro branco, o Litium, acorda, vão dar cabo da nossa natureza, da nossa água, de A a Z, acordem, os cientistas dizem que em 2050 não temos mundo e não há plano B, não há escapatória, terei 80 anos, mas há as crianças de agora que têm direito à vida, não a minha que já a vivi, a deles, acordem, de A a Z, acordem.

Mar Arável disse...

TERESA
Um belo grito
Bj

Ailime disse...

Um poema de amor lindíssimo sublimemente metaforizado.
Beijinhos,
Ailime

teresa dias disse...

Gostei da força e beleza deste "colar de limos".
Beijo.

Teresa Almeida disse...

A duna só é livre e bela se tocada por poetas!

Beijo.