quinta-feira, 4 de outubro de 2018

CÍRIOS





Nas arestas da escarpa
aprendemos quase inocentes
a arredondar pedras
para não ferir o voo dos pássaros

caminhamos num abraço de limos 
ao som das marés
e descobrimos debaixo da pele
que nos abriga
tanta luz
por desbravar

resistimos nas areias movediças
desvendamos rotas conhecidas
atiçamos relâmpagos

círios
mastros
que se levantam


eufrázio filipe

11 comentários:

Boop disse...

Quantas dificuldades nesse caminho!
E resiliência...

Maria João Brito de Sousa disse...

Que poderiam ser os círios se não mastros que se levantam?

Abraço

Lua Azul disse...

Eis um poema que navega contra a corrente, em meio às adversidades!

Janita disse...

No desvendar de novas rotas, acendemos círios às velas
para um navegar sulcando areias movediças...

Beijos, Poeta das escarpas

Rogerio G. V. Pereira disse...

aprendemos

caminhamos

resistimos

atiçamos

(é sempre bom reconhecer palavras-semente
nos poemas que semeias...)

Agostinho disse...

Nas arestas da vida
inventamos luzes
que nos guiam

BFS

jrd disse...

Mais um belo poema que traz a doçura às pedras.
Um grande abraço

Elvira Carvalho disse...

"caminhamos num abraço de limos
ao som das marés
e descobrimos debaixo da pele
que nos abriga
tanta luz
por desbravar"

Gosto.
Abraço e bom domingo.

teresa dias disse...

Um poema para ler e reler.
Resistamos sempre!
Beijo e bom domingo.

Graça Pires disse...

A tua escarpa ensina-te tantas coisas… E é tão bom ler-te…
Uma boa semana, meu Amigo.
Um beijo.

Majo Dutra disse...

Arredondar pedras...
Caminhar num abraço...
Descobrir luz...
Resistir, desvendar, atiçar...
Levantar círios e mastros...
São deveres louváveis de
pássaros nobres e altruístas.
Gostei. Bj
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