quarta-feira, 2 de maio de 2018

INOCÊNCIAS





Quando os muros são de vidro
parecem transparentes
cresce a fala no teu corpo
são grandes os teus olhos
finíssimas as águas
de todas as fontes

vivem encarnados os peixes
na tua boca
e correm por ti  gestos simples

cresce a fala
sabe a terra húmida
o corpo arado
e sussurram  papoilas
mais leves que o vento

assim se viaja
em pleno voo
bebem orgasmos
para espanto
de todas as inocências



Eufrázio Filipe


18 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Todos muros que eu conheço
são opacos

o que não retira nenhuma urgência
ao teu poema

Olinda Melo disse...


Um belo poema, caro Eufrázio Filipe.
Sente-se a força e a transparência dessas palavras,
quase encantatórias.

Abraço

Olinda

Elvira Carvalho disse...

Os muros não são menos muros, nem nos prendem menos, por serem de vidro.
Abraço

Cidália Ferreira disse...

Simplesmente fantástico!!


Beijinhos e um dia feliz.

Marta Vinhais disse...

Quando se ama assim... tudo parece leve e transparente....
Sente-se a esperança...
Lindo..
Beijos e abraços
Marta

Julia Tigeleiro disse...

Lindo!

Maria João Brito de Sousa disse...

Por cá andei ontem, a navegar um pouco neste Mar Arável.

A minha casa tem paredes de vidro. Muitas das paredes da minha casa são de vidro.

Abraço

Boop disse...

gostei desta ideia de o corpo hiper-presente dos amantes se traduzir em papoilas mais leves que o vento!

© Piedade Araújo Sol disse...


e a inocência é frágil como as papoilas
e o voo dos passáros ficam
mais alegres
mesmo que o muros não sejam só de vidro
mas de esperança

:)

Janita disse...

A fragilidade e a força da vida, num sopro luminoso e tão lindo, Mar!!

Um abraço forte.

manuela barroso disse...

Só na transparência das águas, cresce a beleza das papoilas e a suavidade de todos os gestos, em viagens aladas.
Um voo belíssimo, EF
Um beijo!

jrd disse...

Um belo poema. E de novo se solta o grande poeta que há em ti.

Abraço Amigo

Ana Tapadas disse...

Bela a transparência diurna e fremente de vida...nosso Mar Arável.

Beijo

Agostinho disse...

"Finíssimas as águas
de todas as fontes"
donde escorrem eternas inocências Pos
Que não haja mortos
de deserto pois
postula o Poeta
deserta está a natureza
desperta de desejo

Abraço

Graça Pires disse...

Já sabia que viajavas em pleno voo...
Uma boa semana.
Um beijo.

P.S. Podias ir ao poema do 25 de Abril deixar uma palavra às pessoas que te comentaram...

teresa dias disse...

Antes de vidro que opacos.
Muros de vidro não escondem inocências nem a verdade do poeta.
Abraço.

Ailime disse...

Lindo!
Assim é a transparência do amor.
Beijinhos,
Ailime

Sandra Louçano disse...

Lindíssimo:)