terça-feira, 4 de outubro de 2016

PALAVRAS E OUTROS DESTINOS





A cantarolar metias nos púcaros
uma feira de barro

mas hoje estavas tão só
a apascentar azuis
murmúrios barcos
de mãos nos ouvidos

a cantarolar pintavas lábios
com os lábios
nas nossas bandeiras

mas hoje estavas tão só
imaculada inteira
a dar vida aos pássaros

Despiste-te
por um instante
no espelho do cais

só mas nunca isolada
nas tonalidades melódicas
dos mares desgrenhados

isenta de palavras
e outros destinos

Eufrázio Filipe

22 comentários:

Tétisq disse...

e um instante foi o bastante

A. disse...

Apenas... ali!...

Abraço

Lucy Mara Mansanaris disse...

E ainda assim, assistida.
Lindo demais, parabéns!

Armando Sena disse...

Um poema fantástico que merece morar num livro.
bj

Laura Ferreira disse...

gostei :)

MAR disse...

Lindo.
Un abrazo grande.
mar

oteudoceolhar disse...

... por vezes o silêncio tem uma cor dourada, por vezes o silêncio traz-nos de volta ao mundo, ou simplesmente ao nosso mundo, onde divagamos ...
Um beijo n´oteudoceolhar *

Marta Vinhais disse...

Podemos estar só, pensar que não temos palavras... mas encontramos sempre um rumo, um destino no azul do tempo... E esse momento vale a vida inteira...
Lindo...
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Ailime disse...

Boa tarde Poeta,
Um poema azul a cantorolar nas asas dos pássaros.
Bjs
Ailime
(Tenho que reler e reler este belo poema,))!

Mary Brown disse...

Lindo poema. BJS

Janita disse...

Um doce Mar de palavras, que me fez sentir mais acompanhada.

Obrigada, Poeta.

Beijinhos

© Piedade Araújo Sol disse...

por vezes é necessário, e urgente

o estar só (no cais)

beijinhos

:)

Fê blue bird disse...

Um destino sem mais palavras.

Um beijinho

graça Alves disse...

É lindíssimo!
beijinho

Helena disse...

Aos amigos queridos: deixei um pequeno mimo no meu blog como agradecimento por toda a solidariedade que recebi nestes tempos tão difíceis.
Quando puderem, por favor, passem por lá!
Meu carinho a todos!
Helena

Agostinho disse...

Foi quanto bastou.
"Despiste-te / por um instante /
/no espelho do cais".
Sem palavras nem destinos
tudo se tornou compreensivel.
Cristalina verdade.

Abraço poeta. Eu, na gravilha da curva.

jrd disse...

Mesmo quando desgrenhados, os mares são os espelhos que melhor reflectem a beleza das tonalidades melódicas.
Abraço fraterno poeta

Vieira Calado disse...

Há muito que não precisa de palavras.
E, depois de longa ausência, aqui lhe mostro um outro videopoema meu O Pó https://youtu.be/TuztHs6loYw Cumprimentos!

LuísM Castanheira disse...

só...mas tão real como a vida por dentro do poema.

LuísM Castanheira disse...

e...um pouco mais de azul...seria céu.

Odete Ferreira disse...

Há pessoas tão cheias que não cabem no(s) espaço(s)...
Poema que vale por si e em si!
BJ

Teresa Almeida disse...

Vim percorrendo os teus poemas com prazer.
Ainda bem que te encontro.
Beijinho, Filipe.