domingo, 24 de julho de 2016

NO BALOIÇO VARINO DAS MARÉS


                                                          Cais da Mundet  Seixal
                                         


Pelo sulco das águas
regressei
ao intacto brilho do cais

beijei o chão da escarpa
como se estivesse a celebrar
o princípio das memórias

Lá estavam os barcos
no baloiço varino das marés
os cães na proa

mastros a dardejar
onde resistem
pássaros efémeros

Lá estavam
os meus pés nos teus

Eufrázio Filipe


18 comentários:

Marta Vinhais disse...

E escrevem-se memórias no baloiço do tempo...
Lindo...
Beijos e abraços
Marta

Olinda Melo disse...


E quando voltou à escarpa encontrou tudo o que é preciso
para nos deliciar com a suas metáforas: os barcos, os cães,
os pássaros, as memórias...

Abraço

Olinda

heretico disse...

um regresso bem balanceado.

e certamente bem auspicioso - com pés para andar.

belo poema, meu caro Poeta

abraço fraterno

Agostinho disse...

Com remos e pronto para aventura no infinito baloiçar.
As palavras sonham o Poeta que as adivinha.

Graça Pires disse...

A tua escarpa... É dela que avistas as memórias, a efemeridade dos pássaros, "o intacto brilho do cais"...
Maravilhoso, meu amigo.

AC disse...

As partidas só fazem sentido se houver chegadas. Com afectos, desgastados no vislumbre do horizonte, ainda mais.
Sempre bem, meu amigo.

Abraço

MJ FALCÃO disse...

Sim, regressar...
"Pelo sulco das águas
regressei
ao intacto brilho do cais."
Um bom Verão!

Bandys disse...

Intenso e bonito.
abraço

Laura Ferreira disse...

bonito..

Cadinho RoCo disse...

De lá vem suavidade da brisa a provocar reações tão só nossas.
Cadinho RoCo

manuela baptista disse...

e estavam bem


um abraço

Maria Rodrigues disse...

Sabe tão bem regressar.
Lindo poema.
Um abraço
Maria

Emília Pinto disse...

O barco parte todos os dias, logo ao amanhecer; o mar revolto faz com que a viagem nem sempre seja serena, mas também todos sabemos que há marés, altas e baixas como na vida; o que importa é que volte ao seu porto de abrigo para que de novo, ao amanhecer se lance à agua, pedindo sempre que o navegar seja tranquilo. Enquanto a vida assim o permitir, lá vai o barquinho e nós remando esperando que o porto de abrigo lá esteja preparado para nos aconchegar. Foste e voltaste, amigo e espero que tudo tenha corrido bem. Agora vai ser a minha vez ; uns dias de ausência para, se assim o quiser a vida, voltar e começar de novo. Um beijinho e até breve
Emilia

jrd disse...

Encontraste(-te) no lugar e era o teu mar.

Abraço fraterno Poeta.

Jaime Portela disse...

E como é bom ver essas imagens...
Excelente poema, como sempre.
Eufrázio, tem um bom fim de semana.
Abraço.

Majo Dutra disse...

É
muito confortante voltar ao nosso chão...
Um regresso, brilhante e colorido feito
pelo sulco de águas calmas, mereceu
um belo e sentido poema de emoções,
como reencontro com os seus amigos.
Revigorado, esperámo-lo.
Bj ~~~~~~~~~~~~~~

Graça Sampaio disse...

Belíssimo o ritmo à medida das ondas do rio... (por momentos um arrepio: passou-me pela vista «Esteiros» de boa/má/triste memória que li e analisei com os alunos há muito tempo atrás)

Odete Ferreira disse...

É sempre muito bom regressar ao nosso ninho.
Registá-lo assim, é único.
:)