segunda-feira, 23 de maio de 2016

LUZ VERTEBRADA





Nada é absoluto

nem este sítio
onde dulcíssimos cães
lambem os céus
sonâmbulos pássaros
mentem na desmemória
das árvores

nem os gestos
aparentemente inúteis
a viverem de olhos fixos
em bando
acordados à sombra dos relâmpagos

nada é exacto

a não ser uma certa luz
vertebrada
que se consome
ao entrar pelas frinchas
da escarpa


Eufrázio Filipe
"Presos a um sopro de vento"

18 comentários:

manuela baptista disse...

a luz é como a água,

toma-nos a forma


um abraço

Rogerio G. V. Pereira disse...

(muito belo, isto!)

Andrea Liette disse...

Os yogues dizem que o instante de pausa entre a inspiração e a exalação é absoluto. Beijo.

ONG ALERTA disse...

Lindo!!!
Bjbj Lisette

Agostinho disse...

Este Poeta espanta!

Espantam-se largos e recantos da Cidade:
o Poeta respira grandeza:
as palavras vertebradas,
iluminadas e dignas, pousadas
na verticalidade da ombreira
de cada poema.

Pois se é a luz que forma
e informa na abstração dos dias...

Eu fiquei, Eufrázio.

Marta Vinhais disse...

A luz encontra sempre forma de entrar...
Lindo...
Beijos e abraços
Marta

heretico disse...

arrebatadora a luz que teima - e faz caminho por entre a estreiteza do Mundo.

poema a raiar a perfeição.
gostei deveras!

abraço, meu caro Poeta

Zilani Célia disse...

UMA ESCOLHA PRIMOROSA, VERSOS LINDOS.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/-

graça Alves disse...

Maravilhoso!

Helena disse...

Qualquer feixe de luz que se infiltra traz a esperança...

Suzete Brainer disse...

Nada é absoluto, sim.
Nada é exato, sim.

Agora, um grande poema assim,
ocupa um espaço ímpar, mas
de beleza absoluta e de uma
excelência exata.
Bjs.

© Piedade Araújo Sol disse...

e que a escarpa consiga ter sempre essa luz
mesmo que ela entre
por meio das frinchas

muito belo!

beijinho

:)

Olinda Melo disse...


Grandes verdades nos transmite neste poema, caro Mar. Nada é absoluto. Nada é exacto. Assim sendo, aprender a relativizar as coisas da vida seria um grande passo para o nosso crescimento.

Abraço.

Olinda

Maria Rodrigues disse...

Que haja sempre uma luz a iluminar o nosso caminho.
belíssimo poema.
Um abraço
Maria

Bandys disse...

Tudo é efemero.
belo poema
Beijo

Miss Smile disse...

A beleza está precisamente na relativização das coisas...

Carmem Grinheiro disse...

Olá, Filipe.
Não, nada é exacto, nada é absoluto: tudo é o que percepcionamos.
abç amg

Odete Ferreira disse...

"Nada é absoluto"
"nada é exacto"
Exatamente por isso é que o voo dos poetas é luz a abrir caminhos polissémicos.
Sempre a ler-te com respeito!
Bjo, amigo :)