domingo, 6 de março de 2016

CAMINHOS INSONDÁVEIS





Lá no alto
enleado na paisagem
respira
transparências fugidias
palavras inquietas

estranho amante
no baloiço das marés

desobrigado de céus
e outros destinos
por entre braços de araucárias
sem ameias

lá no alto
à tona dos ventos
a soletrar pelos dedos
caminhos insondáveis

que bom este cansaço
movimento
de asas remos e passos

Eufrázio Filipe

 

19 comentários:

Isabel disse...

Os seus poemas intrigam-me...
Não sei bem se os entendo...
Mas a poesia é assim, não é?

Gostei deste poema.

Boa semana:)

Mar Arável disse...

ISABEL

eu bem quero dar às palavras
a leveza das cinzas

Bj

Rogerio G. V. Pereira disse...

desobrigado
sem ameias

na leveza das asas
na pureza das palavras

Graça Sampaio disse...

Muito belo! Leve. Lindo! (como sempre, aliás...)

Beijinhos, Poeta!

Lucy Mara Mansanaris disse...

Boa noite Eufrázio.
O teu compor é sublime, lindo demais!
Que estes olhos continuem a fotografar estas paisagens.

Agostinho disse...

Coisa bela este, Eufrázio!
Quem não se perde
quem não se salva
nos caminhos (in)sondáveis.
O proveito está no in
enquanto há remos e marés.

Abraço

manuela baptista disse...

nas araucárias moram pássaros


é bom este seu cansaço de caminhos insondáveis

Marta Vinhais disse...

Lá no alto... a pensar, a escrever, a sentir-se em paz consigo próprio e com o Mundo...A reencontrar-se, enfim...
Beijos e abraços
Marta

Emília Pinto disse...

"Como a ultima folha do Inverno cansada de todos os brilhos" somos nós também. Temos, pelo menos, uma vez ou outra de nos desobrigarmos destes e doutros destinos e deixar que a nossa alma se eleve, feita folha levada pelo vento numa dança suave de liberdade. Somos barcos lançados neste mar da vida, umas vezes raivoso, espumando, outras uma suavidade doce beijando a areia com carinho e se não tivermos forças suficientes para o segurar naquela onda gigante que de vez em quando põe o barco à deriva há que rapidamente içar a vela e calmamente tentar que chegue ao proximo porto. Ha sempre um à nossa espera!

As tuas palavras " são leves como as cinzas" mas o problema é entender os " caminhos insondáveis dessas cinzas .

Mas...isso é segredo da alma que inspirou as palvras. Beijinhos, amigo e parabéns
Emília

© Piedade Araújo Sol disse...

lá no alto
nas escarpas
os pássaros espreitam
o voo

;)

Vieira Calado disse...

Há sempre uma descrição a fazer, dos caminhos.
Gostei dessa!
saudações poéticas!

Suzete Brainer disse...

As tuas palavras têm a leveza das cinzas,
no voo das belas metáforas enigmáticas!...

Carmem Grinheiro disse...

Olá, Filipe.
Quantas voltas dão as palavras inquietas do poeta.
"a soletrar pelos dedos
caminhos insondáveis" - a busca é incessante.

abç amg

JANE GATTI disse...

Seu poema me lembra um suspiro, fundo... Um hiato no tempo... Sem mais, apenas. Abraços.

jrd disse...

Também há mar e vento, para além das nuvens.

Um abraço fraterno poeta

Helena disse...

Só quando as palavras inquietas descem lá do alto é que se faz o "movimento de asas remos e passos".

Ailime disse...

Caminhos insondáveis, que muitas vezes só o coração do poeta pode desvendar!
Achei lindo!
Bjs
Ailime

Odete Ferreira disse...

E o sonho "desobrigado" é dono de escolher o meio de transporte para o seu destino, precisamente para perceber o seu alcance.
E como tu nos sabes levar por "caminhos insondáveis"!
Bjo, Filipe :)

gabriela disse...

Muito belo.