sábado, 29 de novembro de 2014

NO PULMÃO DAS MARÉS



                                                                                                  republicado


Neste porto desobrigado de fronteiras
e outros céus
vem à tona a energia imperecível
dos desertos
o perfil escarpado da luz
fragmentos de círculo

Nesta apoteose de neblinas
defino a brancura do teu corpo
de pátria movediça
como um prado onde refulgem
transfigurações de barcos
rumores de outros mares

Amo esta janela com vista para o vento
onde é possível ser eterno
por um instante
povoar o silêncio errante das metáforas
e viver apaixonado
no pulmão das marés


21 comentários:

Agostinho disse...

Enorme este poema!
Que me traz a maré?
A mim que aguardo de pé
A maresia de alfazema.

Graça Pires disse...

O perfil escarpado da luz. Uma janela com vista para o vento. Palavras que a maré leva e traz...
Um beijo, amigo.

Arco-Íris de Frida disse...

Amo esta janela com vista para o vento
onde é possível ser eterno

Gostaria de ter isso... a janela, o vento e a eternidade...

Isabel disse...

Gostei do poema e da foto, que tentei ampliar para ver o nome do blogue, mas não consegui...

Um bom domingo para si:)

anamar disse...

A beleza do mar , "só" ou em companhia, por vezes tem um preço elevado.

Beijinho :)

heretico disse...

a domar os ventos no (en)canto das metáforas...

belíssimo, Poeta meu irmão.

lis disse...

Poema como nevoeiro da manhã_ abre nossos sentidos para o 'rumor de outros mares',
obrigada

S. disse...

Belo!

Beijo.

Pedrasnuas disse...

Gostei do que vi para além da apoteose de neblinas...fascinam-me igualmente as neblinas .... o mistério, a cortina de fumo branco ...

Lídia Borges disse...


Passando sobre metáforas em flor para respirar os rumores deste mar.

Bj.

Majo disse...

~ ~ "... ser eterno por um instante..." ~ ~

~ ~ Arte poética veemente, original, subversiva e apaixonada...

~ ~ ~ ~ Dias ditosos e iluminados. ~ ~ ~ ~

Helena disse...

Só os grandes poetas são eternos por um instante e sabem povoar o silêncio com versos tão delicados e tão profundamente lindos!
Sorrisos e estrelas na tua semana,
Helena

Ana Tapadas disse...

Só esse vento anima o imundo charco...

Beijo

Ailime disse...

Belo, muito belo!
"Pátria movediça", essa "janela com vista para o vento" que um dia nos devolverá a claridade!
Beijinhos,
Ailime

Rita Freitas disse...

Linda esta janela com vista para o vento!

bjs

© Piedade Araújo Sol disse...

um porto desobrigado e uma janela com vista para o mar!

que mais pode desejar o Poeta?!

sublime!

:)

Teresa Almeida disse...

A vista desobriga-nos de qualquer ideia feita.
As palavras fluem em marés vivas e pasmam-nos na apoteose vertical da luz.
Beijos.

Nidja Andrade disse...

Olá,
"Saudades do que veio mas não ficou, saudades do que foi mas não partiu. Mas me partiu"
Parabéns! Adoro sua escrita...seus sentimentos na ponta da caneta!
Abraço forte e um excelente final de semana.

EU disse...

Na plena força das palavras...Eis-te!
Bjo, meu amigo
:)

jrd disse...

Sobre o porto livre de limites, abres a janela e libertas o horizonte.
Belo poema.

Abraço meu irmão poeta

Cristina Cebola disse...

A janela que se abre para o mundo, onde os olhos se expandem...

Abraço Poeta!!