terça-feira, 21 de outubro de 2014

DESFOLHADA


                                                  publicado no meu Chão de claridades      




Soltei um pássaro
que me pousou no texto
mas não lhe evitei
o menear das pétalas

só mais tarde
tão tarde
que já adormeciam as palavras
ouvi espargir irrepreensíveis
metáforas
na folha de papel

soltei uma rosa
que se exala
quando a sopro para voar

mas sempre regressa

desfolhada



26 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Um livro que trago
sempre a meu lado

e que,
de vez em quando
abro

e, de cada vez que o faço
solta-se um pássaro

irene alves disse...

É bom saltar os pássaros!!!
Um abraço
Irene Alves

Alexandre de Castro disse...

Todos nós estamos sempre à espera que as flores falem...

Agostinho disse...

Que importa a rosa folheada
num sopro desfolhada
se o pássaro já goza
os alvores da madrugada?
apesar das metáforas
a cabecear no papel, sofridas.

Teresa Durães disse...

"(...)soltei uma rosa(...)" para de novo ser reescrita!

© Piedade Araújo Sol disse...

é soltando os pássaros que esvoaçam pétalas de flores...

muito belo.

:)

Mar Arável disse...

Grato Rogério

Anónimo disse...

Pássaros e rosas sempre se entenderam nos seus voos!

Abraço

Rosa dos Ventos

trepadeira disse...

Delícias que só podemos apreciar soltas.

Abraço,

mário

Andrea Liette disse...

Há uma sutileza adormecida entre os versos!

Um abraço!

heretico disse...

pétalas de rosa cativas!

como eu te compreendo, meu irmão Poeta.

abraço, meu caro Eufrázio.

Maria Eu disse...

Chegamos aqui e ganhamos asas!

Beijinhos Marianos, MA! :)

Branca disse...

"Por entre a folhagem
os teus olhos azuis
amanheceram pássaros verdes"

---------------------------
---------------------------
Eufrázio Filipe

In Chão de Claridades


Sempre, com amizade, através do tempo.

Teresa Almeida disse...

Li de um fôlego! Depois voltei para ver se conseguia apanhar pelo menos uma pétala!

jrd disse...

O Poema-pássaro só pousa no chão para dar asas à poesia.
E como eu não me canso de o ver(ler) a voar
Abraço meu irmão.

S. disse...

Maravilhoso.

As suas metáforas sempre voam com os pássaros.

Anónimo disse...

Penso muitas vezes nesta questão, porque já temos tantos anos de "democracia" como de ditadura e tal como diz a Janita, como é possível estarmos num caminho de retrocesso?

Então na educação, que é a base de qualquer revolução estamos muito mal mesmo, talvez tenha sido aí que mais se falhou e falhou-se logo nos primeiros anos de liberdade, quando se travou o processo de alfabetização em curso por todo o país.

Bela canção esta do Sérgio Godinho, tão pertinente ainda e cada vez mais.

Um abraço, sempre amigo.
Branca

Lídia Borges disse...


Haverá outras primaveras!

É um livro a que regresso sempre à procura de pétalas.

Um beijo

Rita Freitas disse...

E assim são as páginas, os livros...

Belo!

bjs e bom fim de semana

Ana Tapadas disse...

Belo...nos pássaros que se soltam...

Beijo

mariam [Maria Martins] disse...

Extraordinárias as palavras suas (agora também nossas) . Beijinhos :)

Isa Lisboa disse...

Entre a beleza da natureza, assim nasce também um poema (belo).
Um abraço, boa semana! :)

Isabel disse...

Liberdade...

Boa semana:)

Olinda Melo disse...


Urge vestir a rosa de novo com novas roupagens, tingindo-a das cores do arco-íris.

Abraço

olinda

ana disse...

Li os dois poemas. Este bateu mais fundo talvez porque soltou o pássaro e recebeu uma rosa desfolhada.
Boa noite!:))

EU disse...

Parece que a liberdade anda estilhaçada...
Gosto sempre mais de ver uma rosa altiva e vestida!
Mais um poema poema que me encantou, Mar.
Bjo :)