domingo, 14 de setembro de 2014

QUE FIZESTE DAS NOSSAS FLORES?



                                                                        2008



As árvores viajam
na sombra do verde
um sussurro de folhas
mas tu foges dos ramos

amanheces tão distante
que nem os meus olhos
descobrem os teus gestos

as árvores viajam
onde acontece a cor do fruto
no chão
e os pássaros sem amos
deixam que a sombra se rebente

meu povo
que fizeste das nossas flores


 

17 comentários:

trepadeira disse...

Povo, vai lavá-las aos pássaros sem amos.

Abraço,

mário

Laura Santos disse...

O povo sempre trata bem as flores, não sabe é depois escrevê-las bem no boletim de voto.
xx

Rogerio G. V. Pereira disse...

Trago nos braços
regaços de cravos

Mas eu sou gente pouca

(belo, isso)

Helena disse...

Fizeste-me recordar uma música que se tornou um hino em determinada época da história do nosso país. É uma composição de Geraldo Vandré: PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES de onde pincei estes versos:
"Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão"

As eleições aqui estão chegando, e estamos perto de poder responder ao questionamento que fazes (e que é uma preocupação também nossa) nestes versos:
"meu povo
que fizeste das nossas flores"
Só que o povo, infelizmente, ainda não aprendeu a exercer o direito de "responder" nas urnas aos desmandos de governantes que apenas querem nos impingir o odor fétido daquilo que plantam, reservando para si mesmos o perfume que seria direito de todos nós. Não foi uma bela imagem, mas que serve para mostrar que (pelo menos aqui no nosso caso) ainda não teremos um "jardineiro" que venha para respeitar o jardim que o povo tanto necessita e merece. Mas infelizmente a maioria dos nossos eleitores mostra ter os olhos vendados, pois parece que votam apenas para cumprir a obrigatoriedade do voto, esquecendo com facilidade quem são os maus políticos e os que nada fizeram para o bem estar do povo. Acabamos elegendo sempre os mesmos "abutres", pois o povo parece ter preguiça de pesquisar sobre os candidatos que realmente poderiam mudar alguma coisa e fazer a diferença no destino do país.
A célebre frase: “cada povo tem o governo que merece” tem o seu contraponto: “cada povo tem o governo que ajudou a escolher”
Amigo, desculpe o alongado do comentário, mas o teu poema de tão profundas raízes intrincadas de verdade, ensejou-me estas reflexões.
Deixo sorrisos e estrelas para enfeitar a tua semana.
Com carinho,
Helena

Lídia Borges disse...


Um povo sem alegria de ser, não tem como cuidar das flores.

Um beijo

Arco-Íris de Frida disse...

Cade as flores de ontem?

Flor de Jasmim disse...

Carrego-as no meu peito, de nada vale, vejo quem destrói jardins.

Beijinho e uma flor

jrd disse...

Mais uma vez serão as flores que virão despertar o nosso povo. Flores que já tardam no anúncio de novas madrugadas.

Abraço Poeta Irmão

heretico disse...

flores sanguíneas à nossa espera - assim as saibamos plantar. ou cuidar...

muito belo, meu caro Poeta.

abraço

Teresa Durães disse...

"meu povo
que fizeste de das nossas flores"

que fizeste de ti?
perdeste o teu mar
a paixão da tua voz
a unidade que fomos

antes de sermos quem somos.


Excelente poema o seu!

Agostinho disse...


As bandeiras desfraldadas ao vento
as vozes ao alto lançadas pelo canto
as sementes espalhadas na terra
(inculta) pelo poeta sempre alerta
a força das mãos dadas generosas
no nevoeiro da noite, pelo poeta
resgatarão as alvoradas no jardim

Ailime disse...

Muito belo o poema e a imagem!
O povo cada vez mais indiferente às flores!
Este desinteresse atordoa-me!
Bj
Ailime

S. disse...

Uma bonita metáfora para a desesperança que assola um país.

manuela baptista disse...

falta, talvez, quem sabe

ainda tanta viagem


um abraço, Mar

Marisa Giglio disse...

Bonito , muito bonito ! Abraços

Teresa Almeida disse...

Que fazemos das nossas flores?

EU disse...

Aprecio imenso a forma como pretendes(?) que se chegue à mensagem, embora a poesia tenha este dom, o de levar a várias leituras/interpretações. No poema, metafórico, o verde parece desbotou e se tornou branco como a apatia que se plasma na face inerte. A liberdade não tem amos, mas as pessoas parecem não quererem libertar-se deles. E a deixam morrer as flores...
Excelente, Mar
Bjo