quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O PÃO LEVEDADO







Na ausência de relâmpagos
decepadas as videiras
tentas inscrever
à semelhança das marés
um traço azul
nas paredes do cais
nas intactas noites
de lua cheia
onde florescem vivos
os contornos da memória
a desbravar arestas

o pão
levedado


 

17 comentários:

Maria Eu disse...

Lindo!

Beijinhos Marianos, MA! :)

allmylife disse...

Belo!

trepadeira disse...

Vamos limar as arestas, o pão está levedado, porque esperamos?

Abraço,

mário

Arco-Íris de Frida disse...

Apenas um traço azul lembra as mares... acho triste...

Janita disse...

As arestas vão-se limando pouco a pouco, com tempo, paciência e carinho. A vida e o amor, tal como o pão levedado, não espera indefinidamente. Corre o risco de azedar...
Gostei da metáfora e adorei o traço azul! Marca indelével e personalizada de uma alma poeticamente privilegiada!!

Um beijo.

Laura Santos disse...

Haverá sempre um traço azul nas paredes do cais, e na nossa memória.
xx

OUTONO disse...

Imagética perfeita entre o sentir e o escrever!
Abraço!

Isa Lisboa disse...

Tentamos desenhar linhas entre as memórias do passado e o que há-de vir...!

Agostinho disse...

Se o fermento for bom confiemos
o traço azul decidirá o amanhã.

Muito bom.

Vanuza Pantaleão disse...

Que lindíssimo espaço, gostei muito de ter passado por aqui...bjs

Ana Tapadas disse...

É como se este poema fosse escrito para mim (desculpe a ousadia)...há uma sintonia com o que acabei de publicar...e eu sei levedar o pão, nem concebo a minha casa sem um forno de pão...

Beijos

Salete disse...

Imenso!

Lídia Borges disse...


O alimento da alma!... O corpo pode esperar.

Beijo meu

Lídia

lis disse...

Toda ausência 'decepa' da memória 'traços contornos arestas'
como alimentar a alma ?

Sonhadora (RosaMaria) disse...

Que esse pão não demore muito a levedar. sempre profundo o teu sentir de poeta.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

Graça Pires disse...

Se o pão levedou não sentiremos a fome das palavras...
Belíssimo, o poema.
Beijo.

© Piedade Araújo Sol disse...

imagético!

se o pão está levedado, não pode esperar.

a minha mãe dizia que azedava.

:)