terça-feira, 6 de agosto de 2013

PÁSSAROS SILVESTRES





Nos subúrbios de tudo
mesmo junto aos meus olhos
desenham garatujas
no ar que se respira

em desassossego
num clamor de marés
voam de boca em boca
sem destinos

alimentam-se em pleno voo
de pequenos nadas
essenciais
para continuarem a ser pássaros

Estou a vê-los
aqui tão perto
que nem lhes posso tocar

de tão silvestres

 

25 comentários:

marlene edir severino disse...

A vida
no instante
Sem ensaio
Imensurável

Só depois
se reflete
(...Se tempo houver!)

Beijo, poeta!

Rogério Pereira disse...

Depois do poema todos os gestos são permitidos. E necessários. Toca-lhes

Mateso disse...

Pássaros do mar, pássaros do ar, pássaros da vida. Ondas do céu em espuma de sons.
Lindo.
Bj.

Sónia M. disse...

Excelente!
Abraço

A. disse...

Há fosfenos assim, tãoo perto dos olhos, tão dentro dos olhos que a dimensão é imensa, um universo amplo de constelações... ou apenas garatujas que se movem, por vontade quase própria, não fosse a vontade involuntária do mesmo olhar!...


Abraço

trepadeira disse...

"Alimentam-se ... de pequenos nadas para continuarem a ser pássaros"

Está aí tudo.

Abraço,

mário

Licínia Quitério disse...

É com os olhos que os tocas, levemente, como se espuma fosses.

Rita Freitas disse...

E continuam a ser pássaros.

Abraço

jrd disse...

É preciso continuar a "cantar"os pássaros e não deixar que lhes cortem as asas.

Abraço

Suzete Brainer disse...

A essência dos pássaros:

Um delicado Ballet de sonhos...

Assim, a delicadeza do nosso

olhar sobre eles...

Blueshell disse...

Podemos vê-los...nada mais...
beijo terno
BShell

Anna disse...

Nos olhos, a suavidade do mundo...

Um beijo, Eufrázio.

© Piedade Araújo Sol disse...

e é necessário a rebeldia dos pássaros....


:)

Alexandre de Castro disse...

Invejo a liberdade dos pássaros!...

heretico disse...

de pássaros nos olhos. bravios...

abraço, meu caro Poeta.

Anabela Couto Brasinha disse...

Bonito poema,

a solidão,os olhos e a liberdade; liberdade que nunca nasce para ser tranquila todo o tempo,
nem sem ânsia, às vezes, e,
nunca sem o essencial.
E no final das contas,
sempre "pássaros silvestres"!

Continuação de bons escritos e
bons dias de sol.

Olinda Melo disse...


De tão silvestres...nisso residirá a sua liberdade (e a nossa).

Abraço

Olinda

ॐ Shirley ॐ disse...

Poema tão doce como o voo dos pássaros silvestres...Beijos!

Janita disse...

Nos subúrbios de tudo eu vejo é muita, mas muita solidão!
Se há pássaros, eles são invisíveis para aqueles que ainda conseguem rir e sonhar...os outros, de olhar fixo no nada, perseguem a visão do infinito, imaginando ver o que não existe: Pássaros silvestres, nascidos espontaneamente na sua distante memória.
Os dias são de fogo e as noites são o mar. No fundo, bem no fundo, todos somos os arautos do caos...

Desculpe, Eufrázio, deixei-me levar na divagação da hora tardia e pela fotografia.

Um beijo.

anamar disse...

Hoje li-te em voz alta.

Gostei de ouvir-me-te...

:))

ana disse...

Pior é ver e nada se poder fazer. Vale o poema como grito.
Abraço. :)

Isabel disse...

É assim quem voa!
Boa semana!

Canto da Boca disse...

"Pequenos nadas", que desenham nos voos a sua infinita poesia!

Anónimo disse...

"ver" pode significar "sentir"
sentir
sentir quem "desenha", quem "voa de boca em boca"
sentir "os pequenos nadas"
que nos alimentam
sentir o indizível, "tão silvestre"
tão puro
sentir, sentir simplesmente

princesa

nelma ladeira disse...

Adorei seu poema!Eu adoro pássaros porque eles são livres.
Beijinhos.