domingo, 2 de junho de 2013

A MEMÓRIA DAS PEDRAS





Quando a noite luz
ateio-me
num abraço de limos
escrevo em branco
onde se movem
sombras de pássaros
pétalas soltas
mares desgrenhados
na cadência do relógio de pêndulo

Pelas frinchas
oiço perfeitamente
o vento que faz
o uivo dos cães
o ranger das gáveas
o despontar em surdina
de novas flores no cais

Escrevo em branco
para não ficarem sem memória
as paredes da casa

 

32 comentários:

www.amsk.org.br disse...

E eis quem mais recolhe as lágrimas. As paredes de pedra.

bj

Alexandre de Castro disse...

E naqueles pedras
escreveram-se vidas,
que mediam o tempo pelo sol
e regavam a terra com o suor.
Julgo que se julgavam ricos
na pobreza.
E Deus agradecia,
prometendo-lhes o céu.
Não podemos nomeá-los pelos nomes, porque a memória se perdeu.
Ficaram as pedras...

deep disse...

Muito bonito. :)

jrd disse...

E escreves bem, porque as paredes merecem a tua Poesia.

Abraço

Rogério Pereira disse...

Ando a procurar
por dentro
a cadência do pêndulo
no decifrar
da memória da pedras

Escreve sempre nesse branco
agora que aprendi a ler-te

Canto da Boca disse...

Uma escrita que testemunha sempre o despontar de tanta emoção, nesse mar desgrenhadamente em movimento, trazendo e levando, luzes, pássaros e flores no cais da poesia!

Lindíssimo poema, Eufrázio!

;))

JP disse...

As paredes da casa nunca ficam em branco...as pedras "falam"

Abraço

Dulce Rodrigues disse...

Lindo !

Agulheta disse...

Paredes de pedra contem muitas emoções e lágrimas que lavam as entradas,gostei muito amigo.
Beijinho e boa semana.

Mary Brown disse...

As pedras fascinam-me, prendem a minha atenção porque me lembram a História. Beijinhos

Licínia Quitério disse...

Escreves em branco para salvares a nossa memória colectiva.

Ana Tapadas disse...

É muito bom lê-lo, pois é um Poeta!

Só o título do blogue é de profundo sentido metafórico...

Eu entendi bem o seu último comentário...mas não se iluda comigo. Um artificialismo poético é um artificialismo poético. Assim, as pedras choram, têm memória e eu tenho «alma». Só isso meu amigo e a minha, se a tiver, é alentejana, resistente...

Beijinho

trepadeira disse...

E como é belo escrever em branco para não ficar sem memórias nas paredes.

Abraço,
mário

Cristina Cebola disse...

Escrever no branco, deixa o testemunho mais vivo e inconfundível...

Palavras mágicas que nos deliciam...

Abraço!

heretico disse...

pedras vivas. poesia plena.

abraço fraterno

Sandra Subtil disse...

Ah, se estas pedras deixassem de ser pedras, também soltariam uma lágrima!

Beijinho

Olinda Melo disse...


Desembaraçar-se dos limos e deixar as emoções escorrerem pelas paredes da memória, das memórias...

Abraço

Olinda

ana disse...

Gostei da escrita em branco para não se perderem as memórias.
Beijinho. :)

GL disse...

Não há casa, não há pedra, não há espaço, não há recanto, não há objecto, não há... que não guarde memórias. Elas, as memórias, fazem parte integrante da vida.
É por saber(?!) isso que tão bem as descreve.

Abraço.

Ailime disse...

Memórias que jamais se apagarão, porque gravadas nas pedras. Bj Ailime

Janita disse...

Quando se ergue uma casa colocando pedra sobre pedra, muitos são os segredos que nela ficam ciosamente guardados, década após década.
Elas, as pedras, não falam, mas sentem e guardam memórias só suas onde se movem sombras de pássaros fugindo de mares revoltos.
Assim se preenche uma página em branco!

Beijo.

*Escritora de Artes* disse...

Adorei o texto, o último verso é perfeito...

Abçs

Laura Ferreira disse...

às vezes também gostava de escrever em branco..

Pata Negra disse...

tb sei escrever em branco:






um abraço íris

Luis lourenço disse...

O granito sempre será granito.Transformado em poesia leva a outras construções. A memória é uma faculdade profunda.

abraço,

Véu de Maya

hfm disse...

Que final!

Lou Salomé disse...

Adorei o "abraço dos limos"...
Beijinhos

Anna disse...

Gosto! Gosto muito!!!
Bom fim de semana, Eufrázio :)

Silenciosamente ouvindo... disse...

E escrever sempre...
E que o vento leve as palavras
cada vez mais longe...
e que o Homem não se cale...
Bj.
Bom fim de semana.
Irene Alves

Ana Tapadas disse...

Arando o meu mar...de descontentamento!

bjs

© Piedade Araújo Sol disse...

as paredes das casa escondem estórias e nem sempre ficam na história...

:)

Odete Neto disse...

pedras vivas escorrendo emoções...