segunda-feira, 22 de outubro de 2012

ROSA DE SAL





Neste chão de ressonâncias
marés vivas
marnotos
marinhas valentes
e outros relâmpagos
transportámos
um sol de mãos cheias
à cintura um mar de sargaços

Nus de tudo
soprámos o espinho
que nos sangrava as pétalas

descobrimos as mãos
e os lábios
ao entardecer

dulcíssimos
oferecemos ao rio
uma rosa de sal


 

27 comentários:

Vítor Fernandes disse...

Quando será que voltaremos a ser capazes de soprar os espinhos que nos sangram as pétalas?

Olinda Melo disse...


Excelente imagem as suas palavras nos transmite, Mar Arável. Tenhamos inspiração e força para nos erguermos dos espinhos e soltarmos as amarras.

Abraço

Olinda

www.amsk.org.br disse...

Uma rosa de sal já basta a eternidade.

bjs

Vento disse...

a sulcar os mares
num olhar azul

beijo

trepadeira disse...

Uma rosa de sal para temperar as nossas vidas.

Um abraço,
mário

Lídia Borges disse...


Haja ainda sempre uma rosa, ainda que de sal, para oferecer ao rio.

"Nus de tudo
soprámos o espinho
que nos sangrava as pétalas"

Belíssimo

Um abraço

Lídia Borges disse...


"Dulcíssimos"... Parei aqui e fiquei a observar o gesto de oferecer ao rio uma "rosa de sal"
Como a poesia nos acarinha... E como ela nos "atiça".

Um beijo

lino disse...

Oxalá a rosa de sal sirva para salgar a terra!
Abraço

(Tive o sorte de trabalhar com o João Apolinário depois da seu regresso do exílio. Um Grande Homem que dignou ser meu amigo)

© Piedade Araújo Sol disse...

uma rosa de sal....sem espinhos.

um beij

Benó disse...

Nus de tudo, fica-nos a poesia para encher a alma.

jrd disse...

Sim. Porque a maré pode trazer do mar, uma rosa de sal à flor da água.

Sónia M. disse...

Uma rosa de sal a temperar o rio...

Beijo
Sónia

OceanoAzul.Sonhos disse...

Delicada rosa, soberba poesia.

Abraço
cvb

Silenciosamente ouvindo... disse...

Precisamos de ter muita força
e não deixar que o sal nos
queime a esperança - o sonho
e o discernimento.
Um bj.
Irene Alves

marlene edir severino disse...

"descobrimos as mãos
e os lábios
ao entardecer"

Doce

rosa de sal

Abraço, poeta!

Rita Freitas disse...

Nada como despir-se de tudo, transportando apenas "um sol de mãos cheias"

Bjs

heretico disse...

que os espinhos se desdobrem em pétalas. sempre...

... e sal (da lágrima) seja dulcíssimos lábios. em flor.

abraço,amigo Poeta

ana disse...

Muito belo!
Rosas na poesia é um gosto meu, muito antigo.
Há beleza maior que as rosas mesmo quando as suas pétalas caem?

Que o sal salve esta rosa e a preserve das intempéries que vêm dos lados de S. Bento.
Beijinho.

Anónimo disse...

O seu mar ficou mais salgado
é que o desagua muito perto...

enquanto conseguirmos soprar os espinhos das pétals

...mas não tarda falta.nos a força...

saudades

princesa

tecas disse...

« Uma rosa de sal» É o que nos resta oferecer ao rio. Neste caso uma rosa de soberba poesia. Comovente sensibilidade.
Beijinho amigo e uma flor.

lis disse...

Obrigada por proporcionar conhecer seu blog tão cheio de bons fluidos,poemas sentidos e lindos.
Gostei muito do propósito do blog_ 'respirar por guelras" é bom demais! rsrs
não podemos ter medo de nos afogar, coloquemos a cabeça fora d'água até a tempestade passar.
Muito boa a 'florinha'_ incólume .
meu abraço

Sonhadora (RosaMaria) disse...

Meu querido Poeta

Que dos espinhos dessa rosa nasçam as mais belas pétalas.
Sempre intenso.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

manuela baptista disse...

ou dos ventos



um abraço

Mel de Carvalho disse...

uma poesia sempre bela, ainda que o tempo que vivemos, seja, efectivamente, de espinhos cravados na voz e de sal nos olhos de um rio que se faz mar.

bem-haja, sempre, pela partilha

abraço daqui
Mel

Rogério Pereira disse...

"Nus de tudo
soprámos o espinho
que nos sangrava as pétalas"

Teu poema está em curso!

Canto da Boca disse...

Para mim é impossível não lembrar do poema do Pablo Neruda, A Dança (http://pensador.uol.com.br/frase/MzMxMDI/).

E é tão lindo e significativo quanto o poema do nosso querido escritor chileno.
Gosto quando leio: "nus de tudo", pois é como se nos despissemos do peso da existência e a água do mar, a água de sal nos libertasse das impurezas da alma, das coisas do espírito, e nos recubrissemos de pétalas de rosas, cheiros e outros sóis.

Lindo, como sempre!

ricardo alves / são paulo,brasil disse...

belíssimo post e espaço que você possue!