domingo, 4 de setembro de 2011

DO VENTRE ATÉ À FOZ




Neste chão de aceiros improváveis
movimentam-se barcos e afectos
sementes que exultam
memórias remos e passos

Ainda hoje este espaço
de fragatas faluas e sapais
é exiguo
para tantas vozes que se erguem
como os pássaros

Neste pomar de águas correntes
ascendem perfumes de revérberos
que alumiam margens
e temporais

do ventre até à foz



18 comentários:

SAM disse...

Mar,

Na minha compreensão do conteúdo dos versos , na estética do próprio...Que poema bonito!!! Obrigada


Beijos com carinho e ótimo domingo.

Isamar disse...

Um poema bonito onde se salientam metáforas que muito bem se enquaram nos tempos que vivemos.

Bem-hajas!

Abraço fraterno

Isa GT disse...

Quanto aos aceiros... lembrou-me que, neste chão, não se limpam os que ajudam aos fogos mas se continua a "limpar" onde deveria ser impensável :)

Bjos

ana disse...

O perfume intenso do vento batido e da chuva não apaga as memórias mas deixa-as fluir.

Poema belíssimo, azul, apesar do preto e branco da fotografia tão especial.

mfc disse...

Vamos continuar a caminhar num mundo de sonhos que a realidade está muito difícil...

Virgínia do Carmo disse...

Sublime desde o ventre das palavras até à foz dos sentidos.

Um abraço, Eufrázio

antonio ganhão disse...

O mar é sempre escasso para a barca da nossa vida.

Lídia Borges disse...

Das tempestades insondáveis que se alastram sobre nós.


L.B.

BRANCAMAR disse...

Lindíssima e tão profunda a mensagem, que sendo um retrato belíssimo da tua terra, pode ser toda ela um quadro metafórico para um país inteiro...

Beijos
Branca

Mel de Carvalho disse...

A exiguidade do espaço não tolhe o movimento ininterrupto das marés, o verde rubro da bandeira, uma nação, a fé dos homens em dias percorridos do ventre à foz, na liberdade que alumia as margens, ainda possíveis, de um tempo novo. Há que acreditar na força da semente de Abril lançada à terra.

Abraço daqui, meu amigo.
Mel

Maria João disse...

Haja mar e foz, e todos os ventres continuarão a sonhar azul.

Um abraço

jrd disse...

Na torrente das palavras, desaguas.

Abraço

Mirian Martin disse...

Do ventre até a foz. E se o espaço não fosse tão exíguo, até onde iria?

beijos

manuela baptista disse...

num espaço assim

elejo as fragatas, porque são do Tejo

um abraço

manuela

Mona Lisa disse...

Olá

Não quero desaguar no mar revolto que nos espera...

Deixa-me sonhar!!!

Bjs.

Canto da Boca disse...

O espaço pode até ser exíguo para outras manifestações, mas transborda poesia e emoção!

carlos pereira disse...

Meu caro Eufrázio;
Excelente poema, onde as metáforas lhe dão força e beleza.
Gostei imenso.
Um abraço.

Anónimo disse...

«barcos»
«sementes»
«afectos» ...

...Tantos!!!
por ti deixados
no concelho
por ti erguido
«do ventre até à foz»!!!!...

princesa