terça-feira, 12 de abril de 2011

UM RIO DE ATEAR FOGUEIRAS



Neste barco
que ainda ontem nasceu
na palma das nossas mãos
sem pátrias àvista
quase eterno
 um fio de música
dança incógnito
até nos doermos
e as águas lamberem
os nossos passos

Se o rio deixasse de correr
ficaríamos desertos nas margens
e o mar sofria
por falta de areias

mas neste barco
cúmplices até à foz
tentamos descobrir o efémero
por entre os dedos

voamos onde se precipitam as aves
e desaguamos
como se fossemos um rio
e somos
de atear fogueiras



43 comentários:

Anónimo disse...

Espreitei
Entrei
Naveguei
E
Desaguei
Neste teu mar

Bons sonhos!
"Beijão"

princesa

G... disse...

Delicado no sentir, surpreendente no dizer do que se sente.
Tanto: gostei!
Beijinho

hfm disse...

Da poesia!

ana disse...

Tem razão, o mar está a sofrer por falta de areias, não o seu mar que esse continua pleno, mas o mar que nos rodeia.
Abraço!

Cata- Vento disse...

Que linda imagem e que lindo poema. Ateemos fogueiras sempre que para tal haja necessidade.

Bem-hajas!

Abraço fraterno

Mel de Carvalho disse...

A beleza de uma poesia que brota dos dedos e incendeia os olhos e nos faz acreditar que o limite dos homens será sempre o local onde se precipitam as aves e desaguam os rios na efemeridade dos instantes
"e já é tanto", como diria um Enorme Senhor que muito admiro.

Um abraço, meu amigo.
Mel

flor de jasmim disse...

Eufrázio
Adorei esta poesia e o brilho de cada palavra que aqui li.
Beijo

Mirian Martin disse...

A foto me lembrou demais Belém-PA, onde as crianças, desse mesmo jeito, atravessam "um mar de rio", num barquinho assim, de um lado e outro, na certeza de que nada de mal pode lhe acontecer. E ainda são elas os melhores guias para descobrir os recantos das florestas.

bjs

Jorge disse...

Serão horas de atear fogueiras?

Lídia Borges disse...

Um barco que sempre nos cativa e nos leva aos recantos mais luminosos da poesia.

Um beijo

Secreta disse...

E num barco de sonhos navegamos...

Constantino, Guardador de Vacas disse...

Fico assim, tipo meio parvo ao ler tanta beleza e criatividade. Fico com vontade de pegar num seu livro de poemas e me sentar à beira rio de passos parados à espera que as águas os lambam e as aves se precipitem num fio de música.

Sara disse...

Que os rios nunca sejam efémeros! Nem a poesia...

lino disse...

Mais um belíssimo poema!
Abraço

Maria Valadas disse...

Poema de um Poeta Maior!
Excelente!!

Beijos.

mfc disse...

Assim foram os intrépidos marinheiros de antanho!
Hoje... só procuro o amor!

Sandra disse...

O teu mar é arável e a tua poesia fértil

© Piedade Araújo Sol disse...

atear fogo nas areias

e o poema é de fogo!

lindo!

beij

JPD disse...

Eis uma via sem restrições onde todos os sonhos podem ser acalentados.
Excelente poema.

Um abraço

Canto da Boca disse...

Às vezes somos tão líquidos em nossos sentires tantos, que bastamo-nos como o oceano que somos!

Lindíssimo poema!

BRANCAMAR disse...

Um rio de atear fogueiras, é o que encontro sempre neste espaço.
Fogueiras de amor, de liberdade, de dor e de luta - fogueiras da vida!

Beijinho
Branca

AFRICA EM POESIA disse...

AMIGA

100 000visitas

Tnho festa no meu blog
tenho selo para ti

Um beijo

Graça Pires disse...

Fogueiras ateadas em corpos que se amam...
Um beijo.

Hugo de Macedo disse...

Lindo!

bettips disse...

Cúmplices no amor, com a poesia, sim

... e também na indignação dos diques.
Abçs

MAR disse...

La poesía es la que le da ilusión a la vida y los niños también, es por eso que yo deseo su felicidad y una vida llena de amor PARA ELLOS...LOS DULCES NIÑOS...ANGELITOS CAIDOS DEL CIELO.
Besitos para ti mi amigo querido.
mar

George Sand disse...

Bonito!!!

Mariz disse...

Suas águas se confundem e se fundem.


mil beijos!

Justine disse...

As ondas encantatórias de um percurso/vida a dois. Muito belo...

Aldebarã disse...

Maravilhosa poesia incendiar as areias como sentimento em corpos apaixonados. Lindo. Beijinho

valquiria calado disse...

LIndo barco e rio, o curso fica ao desejar do ser.


A árvore não prova a doçura dos próprios frutos, o rio não bebe suas próprias ondas, e as nuvens não despejam água sobre si mesmas: a força dos bons deve ser usada para benefício de todos. Sábios Hindus

Abraço.

VÉU DE MAYA disse...

Tão intenso e belo...Poeta.

abraço,

Véu de Maya

Sônia Brandão disse...

Que o rio não deixe de correr.

bj

Laura Ferreira disse...

Naveguei lânguidamente e deixei-me sorrir.

Fê-blue bird disse...

Deixei-me simplesmente levar pelas águas do teu poema. Lindo como sempre!

bjos

Graça disse...

'até nos doermos' de tanta poesia. lindo!

Beijo, Poeta.

OutrosEncantos disse...

carinho para ti aqui:

http://meusamigosseusmimosmeusencantos.blogspot.com/

com beijo e sem fogueiras :)

BRANCAMAR disse...

Volto para desejar bom fim de semana e deixar um abraço pela partilha de bons momentos poéticos, tantos e tão bons que aqui encontro e por tantas e justas lutas.
Beijos também.
Branca

utopia das palavras disse...

Quase força vulcânica desaguando nos versos (teus)!

Sempre o meu encanto!
Abraço

Eva Gonçalves disse...

Lindíssimo poema, em que nos deixamos levar neste rio de poesia constante... gostei mesmo muito! Abraço

Nilson Barcelli disse...

Sem rio não haveria margens nem mar... e barcos, muito menos...
Excelente poema. Gostei.
Boa semana, um abraço.

Maria João disse...

Mesmo que moribundos por falta de areias, corram juntos todos os mares,em cumplicidade, abraçando rios e outras águas para que o fogo não se extinga.

Um abraço, Eufrázio, com os votos de uma doce e serena Páscoa.

Hanaé Pais disse...

Voemos então Querido Eufrázio...