segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

BARCOS DE PEDRA



Um dia disse

Hoje não quero salvar o mundo
só ajudar

e tu ficaste triste

Agora quando a noite raia
no restolho das palavras
um pássaro rubro
deixa nos teus lábios
um lampejo que se alumia
uma nesga de luz
um rio inclinado para a foz
onde todos os azuis convergem
para afagares a minha barba
cor da espuma

Agora que as pontes se deitam
por sobre as águas
para não as magoar

agora sim
vamos salvar o mundo

soletrar grão a grão o fio de areia
coado na ampulheta

movimentar barcos de pedra
com vida por dentro

41 comentários:

Rogério Pereira disse...

então o poeta disse

agora sim
vamos salvar o mundo

e eu fiquei feliz
por deixar de esperar

anamar disse...

Lido em alta voz...
Beijos e boa semana
:))

José Carlos Brandão disse...

Para águas mais profundas, disse o Senhor.

folha seca disse...

Salvar o mundo já não é mais um utopia. Mais do que nunca precisa de ser salvo...

Mel de Carvalho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
hfm disse...

Toda a envolvência da metáfora na beleza das palavras e do ritmo.

Secreta disse...

Salvamos o mundo [nosso]sempre que podemos... ou pelo menos tentamos faze-lo.

Fê-blue bird disse...

Um poema muito inspirador

"Agora sim
vamos salvar o mundo"

Que mais posso acrescentar perante esta determinação.

Beijinhos

Mel de Carvalho disse...

"Agora que as pontes se deitam
por sobre as águas
para não as magoar"

Eufrázio, todo o poema é
absoluta POESIA. Da mais bela que conheço, que leio - sereníssima, profunda. Da que me acompanha quando me evado para as margens do meu rio e levo os seus livros comigo.
Que fazer se não lê-lo sempre?
Bem-haja. Gratidão. Infinita gratidão.

Mel

PS: apaguei o meu anterior comentário, por conter uma "gralha" ... :)

AC disse...

E na convicção se fez a alegria do passo a dar...

Abraço

jrd disse...

E que não fiquem mais barcos abandonados na praia ao pé do mar...
Abraço Poeta

ana disse...

Não importa a matéria mas sim a substância!
Abraço.

antonio - o implume disse...

Os rios querem-se assim, inclinados para a foz, em silêncio...

lino disse...

E o mundo precisa tanto de ser salvo!
Abraço

partilha de silêncios disse...

Agora que as pontes se deitam
por sobre as águas
para não as magoar
agora sim
vamos salvar o mundo

vamos lá e dar vida por dentro aos barcos de pedra
Adorei o poema.
obrigada

bjs

OutrosEncantos disse...

Mar!
... esses barcos de pedra entram pelo peito adentro e derretem-se de ternuras...
que poema...
beijos

carlos pereira disse...

Caro POETA Eufrázio;
Poema maior.
Vamos salvar o mundo com a força das palavras nem que tenhamos de "movimentar barcos de pedra" com as nossas vidas.
Gostei imenso.
Um forte abraço.

Sônia Brandão disse...

A poesia salva o mundo.

bjs

MAR disse...

Muy bello.
Besos para tiiiiiiiiiiii.
mar

Rosário disse...

Poesia que esconde mais poesia...Para além de... Parabéns

Abraço

Rosário

Aníbal Raposo disse...

Caro Eufrázio,

E há tantos barcos de pedra neste país. É preciso colocá-los de novo a navegar.

Gostei muito do poema.

Abraço

manuela baptista disse...

se espuma for

o rei do fundo das águas
e a tristeza, um grão de areia

solitária

serão os poemas a mudar o mundo

e as pedras
um fio de barcos

...e um dia,
disse assim bonito e eu gostei!

um abraço

manuela

alice disse...

um poema com o movimento dos barcos, como água translúcida a ser palavra. adorei, eufrázio. um grande beijinho.

R.B.Côvo disse...

Um bom poema. Vamos salvar o mundo, ou a nós mesmos. Abraço.

R. disse...

E para salvar o mundo, bastaria que cada um salvasse o grão que lhe compete.

Um abraço.

JPD disse...

Eu tento quotidianamente acrescentar um «grãozinho».
Muitos dias, também, desespero.
Um abraço

Teresa Durães disse...

e o mundo quer ser salvo?

Maysa disse...

Caro poeta

Ah como este poema é lindo!
Beleza triste, solitária de quem inda espera o que não seja frio, pétreo!
Um abraço com admiração
Maysa

Graça Pires disse...

Para salvar o mundo bastaria que o mundo deixasse que o salvassem...
O seu poema é belo, como sempre.
Um beijo, amigo.

aldrey disse...

Adorei a poesia...bjs

Hanukká disse...

Porém Tu, Senhor, És um escudo pra mim, a minha glória, e o que exalta a minha cabeça.
Com a minha voz clamei ao Senhor, e ouviu-me desde o seu santo monte.
Eu me deitei e dormi; acordei, porque o Senhor me sustentou.
SL 3:3-4-5

DEIXO COM ABRAÇO DE PAZ E ALEGRIA DO PAI EM TEU CORAÇÃO.

Sara disse...

E que a intenção se cumpra, grão a grão, dia a dia.
Gosto muito destes ares de esperança que aqui perpassam. Fazem falta.
Abraço.

Marta disse...

E jangadas de palha...rios de sentimentos, lagos de paixão.

Sofá Amarelo disse...

Só por serem de pedra os barcos têm vida e navegam num tempo onde as pontes não são mais que palavras de espuma...

joaquimdocarmo disse...

Como com "uma nesga de luz" se pode "salvar o mundo"!
Abraço

Virgínia do Carmo disse...

este poema tem vida por dentro...

Bjos, Eufrázio, sempre de admiração

Anónimo disse...

Que poema lindo!
Seja qual for
a interpretação que se lhe dê
...
"onde os azuis convergem
para afagares a minha barba
cor de espuma"
...
surge a maior força interior
capaz de salvar o mundo
e cada um de nós

princesa

Canto da Boca disse...

(nem que seja para salvar o mundo belo e particular de cada um, de cada par...)

Cristina Fernandes disse...

Há um momento em que todos os azuis convergem... como neste poema...
Bjs
Chris

bettips disse...

Volto, de cima, a este.
Que salva mundos e ideias.
O que mais nos importa!
Abç

Curiosa disse...

Eufrázio,
que lindos poemas os teus ...
com este último, eu me identifiquei muito ... estou aprendendo a 'não querer salvar o mundo' ... salvando a mim mesma, já está muito bom e já é muito difícil ...
um prazer estar aqui ... adorei os poemas falados ... quem os recita? você? muito legal ...