terça-feira, 9 de novembro de 2010

DESLAÇAS-TE



Nas paredes mais navegáveis da casa
os teus retratos a preto e branco
com muitas cores
soltos de margens

são meandros vertebrados

onde cantas silêncios

em campânulas de sons

ateias relâmpagos por entre vagas

desmandas sílaba a sílaba

remoçada de lábios

o esconderijo das palavras

Quase silvestre e maternal

dedilhas fios de linho

no tear onde te oiço

sussurrar claridades

passos remos e passos

Nas paredes mais navegáveis

navego-te os timbres

até à fímbria de um sopro

onde emerges em flor

nos meus olhos

Deslaças-te


32 comentários:

hfm disse...

As palavras não deslaçam, enlaçam. Belíssimo!

jrd disse...

Belíssimo!
Quem tem palavras de si, para comentar tanta beleza das tuas palavras?
Abraço

Jorge disse...

Bonitos, quadro e poema!

trepadeira disse...

E com os fios de linho te deslaças.
Um abraço,
mário

lino disse...

Lindíssimo!
Abraço

Clarice disse...

Continuas a encantar.
Abraços.

Anónimo disse...

Ao centro das paredes
canto silêncios
para que façam eco!...

Eco que faça vibrar
corações distantes

Distantes das memórias
das "paredes navegáveis"
com imagens de "todas as cores".

Parabéns por mais esta criação!
É sempre agradável
encontrar um barco novo
no seu, mas
também nosso
"mar arável"!

princesa

Mateso disse...

Em cada fio de linho nasce a palavra-água de um poema.
Parabéns!
Bj.

AC disse...

Um deslaçar pleno de cumplicidade, tecido em palavras ternas e profundas...

Abraço

antonio - o implume disse...

Navegar pelos retratos expostos numa parede; eis uma ideia que nunca me tinha ocorrido.

heretico disse...

poema sereno. em plenitude de sáfaras. e colheitas...

belissimo

abraço, Poeta.

ana disse...

Uma
Flor

© Piedade Araújo Sol disse...

uma viagem tendo como pano de fundo um retrato ( a sépia)com a imaginaçao poética nas palavras do autor.

um beij

São disse...

Ao contrário do título, meu amigo, as tuas palavras fascinantes (nos) enlaçam.

Um abraço.

Graça Pires disse...

Palavras a navegar um corpo...
Um beijo.

Maria João disse...

No deslumbre da musicalidade poética, enlaço-me nas palavras e fico, sem saber de mim, simplesmente. Apenas a flutuar no que é perfeitamente belo.

Um abraço

OutrosEncantos disse...

... nos meus olhos se deslaçam as tuas palavras como fios de linho, Mar, tecem uma renda como a espuma das marés a se desfazer na areia porosa.
Me encanto com a tua escrita, Poeta.
Beijo.

Laura Ferreira disse...

Belíssimas palavras enlaçadas!

R. disse...

'Retratos soltos de margem' inspiram liberdade, prolongamento... materialização e dinâmica do que é imaterial e estático. São retratos sem as amarras das molduras e também por isso ganham vida e convocam-nos a reagir.

Fê-blue bird disse...

Sem dúvida, gosto de navegar nas palavras do teu mar.
Jogas com as palavras de uma forma que eu invejo.

"...são meandros vertebrados

onde cantas silêncios

em campânulas de sons..."
LINDO!


Beijinhos e bom fim de semana

Justine disse...

Até o laço mais frágil é difícil de desatar...

rouxinol de Bernardim disse...

A poesia assim dá gosto...
É toda uma ternurenta passagem de modelos em que os modelos são... as palavras...

BRANCAMAR disse...

Belíssimo, intimista e se por vezes as palavras ficam muito aquém dos sentimentos, nesta poesia elas ficam muito próximo da emoção e do sentir, por isso nos levam numa onda de espanto...
O quadro é belíssimo, muito apropriado!

Beijos
Branca

intimidades disse...

Lindissimo
Beijos
Paula

Virgínia do Carmo disse...

Lindo, este deslaçar...

Um abraço

Maria P. disse...

Enlaças.

Beijinho*

poetaeusou . . . disse...

*
enlaçaste-me,
nas palavras navegáveis,
em Nau Catrineta feitas !
,
conchinhas,
,
*

Artur Gonçalves Dias disse...

beleza que navega
firme
em forma de arte

cumprimentos

mdsol disse...

:)))

G... disse...

... de mestre.
E a mestria fala por si.
Beijinho

"quicas" (joaquim do carmo) disse...

Um poema para tecer...! Belo!
Abraço

José Carlos Brandão disse...

A poesia
do tear
ilumina.