domingo, 17 de outubro de 2010

FLORES DE ESPUMA

publicado no "Que fizeste das nossas flores"

Um círculo de garças
nem brancas nem esguias
adormecem nos barcos ancorados
com olhos excessivos

Nesta ilha sem vista para o mar

navegam águas improváveis

faúlhas num incêndio

de partículas sitiadas

Aqui paira o aroma da cânfora

em ressonâncias quase divinas

pousam lábios em cálices de cicuta

O mar não é sempre azul

e talvez por isso se agite

nos mapas imaginários

rasgue caminhos

para não se perderem os náufragos

Nesta ilha de bálsamos

onde os destinos se desmentem

afagamos ruínas soltamos hinos

por sobre a memória das pedras

damos voz aos silêncios

até que as garças

se tornem brancas e esguias

como flores de espuma


35 comentários:

Jorge disse...

Bonita a imagem. Belo o poema.

antonio - o implume disse...

Conheço a sensação. Olhar uma ruína tão deslocada quanto eu.

Rogério Pereira disse...

Não há réplicas possiveis
ao poema que o é
só me resta replicá-lo
se for capaz
rebocá-lo
sair daqui e levá-lo atrás
para tentar
dar
voz aos silêncios
até que as garças
se tornem brancas e esguias
como flores de espuma

AC disse...

Encantado com esta ilha de bálsamos,
onde as coisas ainda parecem ter o nome original...

Abraço

Virgínia do Carmo disse...

Eu leio a nostalgia das impossibilidades. Mas tão pequenos são os meus olhos! Talvez nem saiba ler ainda...

Um abraço

Sonhadora disse...

Meu querido Poeta
E eu naveguei em silêncio nas tuas palavras.

Beijo
Sonhadora

anamar disse...

Presente
e
boa noite...
:))

carlos pereira disse...

Caro Eufrázio;

Belo poema, onde a sensibilidade do poeta se projecta numa beleza contemplativa, que me "obrigou" a fazer uma viagem amplamente agradável.
Gostei bastante.
Um forte abraço.

Maria João disse...

Que jamais se deixe de dar voz aos silêncios.
É preciso emergir da espuma dos dias.

Um abraço

lino disse...

E podemos refugiar-nos na ilha?
Abraço

Anónimo disse...

é sempre tão BOM




ler aqui o homem que é.



obrigada. E.



forte ABRAÇO.



IMF.

ana disse...

Silêncios...
um mar

de silêncios
e flores de espuma!

Belo.
Abraço. :)

heretico disse...

afagar ruinas e caminhar.
até a voz do silêncio se fazer eco.

e flores de espuma enfeitem donairosas garças.

enorme Poeta. que és.

abraço

BRANCAMAR disse...

E assim termina uma viagem de flores sempre a renascer...de afectos, porque o "Que fizeste das nossas flores" é também um fruto de todos os marea percorridos, um jardim plantado nas águas, onde se agitam novos caminhos.

Um abraço
Branca

Maria P. disse...

Gosto, sempre.

Um dia roubo-lhe palavras, palavra!
:)
Bjos*

José Carlos Brandão disse...

Salve, poeta!
O mar, sempre o mar! Sou fascinado pelo mar, entro em delírio diante do mar.
Grande abraço.

© Piedade Araújo Sol disse...

sensivel e muito bom

e daremos vozes e cantos aos silencios.

um beij

Nilson Barcelli disse...

Não há destinos certos num mar nem sempre azul e cercado por uma ilha...
Abraço.

R. disse...

...E da espuma dos dias, da imensa capacidade criativa e da verve brotem os poemas.

Sara disse...

Que "rasgar caminhos para não se perderem os náufragos" e "dar voz aos silêncios" não façam parte do domínio do improvável.
Gostei muito da atmosfera deste poema. Como diria uma amigo: é uma grande viagem! :)

Sofá Amarelo disse...

É fundamental dar voz aos silêncios e que as garças voem em círculos ao aroma das cânforas... em mapas imaginários!

Cristina Fernandes disse...

"... e o mar não é sempre azul" - na flores que guardam memórias da espuma dum tempo... parabéns, pelo poema...
Abraço
Chris

São disse...

Não , nem sempre o mar é azul. Por vezes é verde... e branco... e negro...

Mas uma fascinante maravilha sempre.

Bom dia.

hfm disse...

Já tinha saudades de ler estas palavras.

gabriela r martins disse...

até que o canto......


.... cantemos ,então!




.
um beijo

alice disse...

é caso para dizer que também as palavras têm uma memória de pedra. um beijinho, eufrázio*

JPD disse...

Belíssima poesia pode ser lida neste espaço.
Congratulo-me por isso.
Um abraço

Graça Pires disse...

O mar tem a cor dos nossos olhos e o silêncio que o coração reclama.
Belo poema. Um beijo, amigo.

f@ disse...

Brancas flores a esvoaçar sobre as águas...
salpicos de espuma
um bj

Fa menor disse...

Para começar, uma bonita imagem.
Depois, é mesmo preciso devolver às garças a graciosidade e a pureza.

Bjins

Licínia Quitério disse...

Todo o poema é uma paisagem. De incêndio e de espuma. Que bonito!

Abraço, Poeta.

João disse...

Muito bem feita a relação
imagem - texto.

Demais seu blog.

Abrçs


João;

Maria Valadas disse...

Tão bonito o versejar!

Certamente faria uma bela tela por pintar!

ADOREI, como sempre!

Bom fim de semana.
Bjs.

Véu de Maya disse...

O mar permite sensações absolutas. na tua ilha...ou na tua encosta.

Deixo-te uma abraço.

pianissima disse...

Mar, peço permissão para publicar este poema nos meus "tesouros".
beijo meu.