terça-feira, 21 de setembro de 2010

VENTO DESGRENHADO





Tinhas um quase deus escondido
no oráculo das mãos
todos os azuis descompassados
à hora incerta das marés

e foi assim que acordaste
sentada no cais
a celebrar o único barco
que se fez ao mar
para te prender ao voo dos pássaros

e foi assim que soletraste
os miríficos relâmpagos
floriste em concha
soltaste areias por entre os dedos

até o vento desgrenhado
te afagar as tempestades

33 comentários:

jrd disse...

Tudo é possível, quando o poeta é vento e mar...
Muito bom!
Abraço

JPD disse...

Belíssimo!

Um abraço

Lena disse...

fiquei ali no cais,
olhando nas marés tuas palavras
deitadas sobre as ondas do mar...

Belo !

Beijinhos

Leonardo B. disse...

[quantas as margens do mar, para que todo o vento aconteça? quantas as praias, onde o voo se adormeça? tantas, possibilidades, tantas]

um imenso abraço,

Leonardo B.

Rogério Pereira disse...

"até o vento desgrenhado
te afagar as tempestades"
É belo de ler e de ouvir...
Mas diz-me poeta:
Quando será que tal vento
repetirá esse afagar
em suas serenas bonanças?

Maria João disse...

E é sempre assim que eu fico, aqui...

como num cais, a celebrar o último barco.

Um beijinho

Graça Pires disse...

Belísssimo! Um poema de amor e liberdade.
Um beijo, amigo.

hfm disse...

quando, de intemporais, as tempestades se tornam bonanças.

Meg disse...

Em tempos de regresso, uma visita para constatar mais um bonito poema, com o mar sempre presente.

Beijos

São disse...

Como sºao belos os azuis descompassdos...

Fica bem.

lino disse...

Palavras para quê?
Abraço

legivel disse...

... lê-se de um ritmado fôlego com o coração (oráculo) nas mãos e pedindo mais tempestades destas.

partilha de silêncios disse...

Adorei esse «vento desgrenhado que afaga tempestades».

bjs

Sara disse...

Esta imagem, a do vento desgrenhado, é magnífica. Verdadeiramente estimulante da nossa capacidade imagética. Antecipo lembrar-me dela em dias (ou noites) de ventania.

Obrigada e um abraço!

PS: Obrigada pelo comentário que deixou a propósito do "Elogio del Horizonte". Um verdadeiro poema em três versos, devo dizê-lo.

Mel de Carvalho disse...

O quanto gosto destes trabalhos, tão despojados de artificialismos.

Meu bom amigo, os seus poemas são ventos alísios aos sentidos de quem o lê. Fazem acreditar no lado bom, generoso, do ser humano.


Abraço saudoso
Mel

ana disse...

Belo.
A imagem bafejada do vento foi muito bem escolhida.

O vento arrasta a espuma do
mar
em concha florescem as algas.
Abraço. :)

Virgínia do Carmo disse...

Encantadora a harmonia que atravessa a desordem...

[gosto sempre deste travo a tranquilidade!]

Um abraço

poetaeusou . . . disse...

*
desgrenhado,
fiquei ao ler este poema,
e sem vento . . .
,
conchinhas,
,
*

mundo azul disse...

________________________________

...bonito!

" tinhas um quase deus escondido no oráculo das mãos..."


Beijos de luz e o meu carinho!


________________________________

R. disse...

A natureza encerra, em si mesma, a sabedoria dos melhores antídotos.

Um abraço.

G... disse...

na simplicidade despojada de um poema a mestria pura das palavras.
Perfeito!

Lia disse...

Olá,

gostei muito - e o vento desgrenhado disse-me: temos poeta!
;0)

Muito bonito!

Beijinhos de sol*

Naty e Carlos disse...

O amor nasce de um beijo, cresce de um sorriso, alimenta-se de um carinho e ressuscita de um perdão."
Uma boa semana
Bjs com carinho

BRANCAMAR disse...

E foi assim que se fez um tempo e um momento singular em que o desalinho era afinal a vida toda a acontecer.

Muito bonito, tal como os outros de que estou a gostar imenso.

Obrigada,
Branca

mdsol disse...

Os elementos como forma de realçar ...
"até o vento desgrenhado
te afagar as tempestades"

:)))

quicas (joaquim do carmo) disse...

Há sereias assim, apaixonadas e musas inspiradoras!
Abraço

AC disse...

Um canto à ousadia de ser, de se cumprir como destino...
Belo!

Abraço

Justine disse...

Poesia "desgrenhante" e desconcertante...

arabica disse...

Olá Eufrázio, também a mim me trouxeram os ventos, a este cais seguro de poesia azul.

Gosto muito desta imagem que deixas

"e foi assim que acordaste
sentada no cais
a celebrar o único barco
que se fez ao mar
para te prender ao voo dos pássaros."

Magnifica.

Um abraço.

Fê-blue bird disse...

Retribuo a visita ao meu blogue, e como gostei do que li aqui, fiquei;)

Um poema intenso,cheio de azul e mar

beijinhos

heretico disse...

os ventos desgrenhados amaciam os incêndios...


abraços

Licínia Quitério disse...

Ali sentada, depois de sabido o único barco, quando o mar parecer chama, o vento virá e o teu cabelo será seda de novo.

Tão bonito, Poeta.

tb disse...

Aragem com sabor a maresia...